7.3.11

Obrigado, Chico



Estava o Chico parado defronte do correio, conversando com seu irmão André, quando um guarda policial passa-lhe por perto e, colocando o braço direito sobre seu ombro, lhe diz:

- Muito obrigado, Chico!

E foi andando.

O Chico ficou intrigado com aquele agradecimento.

Não podia atinar com sua causa.

À tarde, ao regressar do serviço, viu defronte a um bar um bloco de trabalhadores da fábrica e, no meio deles, o guarda que o abraçara pela manhã.

Passou mais por perto e observou que o guarda tentava desa­partar uma briga entre dois irmãos que se malquistaram por coisas de somenos.

O guarda, vendo inúteis seus esforços e porque a discussão já se generalizava envolvendo todo o bloco, tirou da cintura o revólver e ia usá-lo para impor sua autoridade.

O Chico mais que depressa chegou-lhe perto e pediu-lhe:

- Calma, meu irmão.

O guarda voltou-se contrariado, mas reconhecendo o Chico, como que envergonhado do seu ato, exclamou:

- Muito obrigado, Chico! Controlou-se, usou da palavra, aconselhou e o bloco foi desfeito com o arrefecimento dos ânimos...

À noite, indo o Chico para o LUIZ GONZAGA, encontrou-se com o guarda:

- Chico, ia procurá-lo e agradecer-lhe, muito de coração, o bem que você me fez, por duas vezes.

- Por duas vezes? Como?

- Ante-ontem sonhei com você, que me dizia: - "Cuidado, não saia de casa carregando arma à cintura como sempre o faz. Evite isto por uns dias...

Por isto é que lhe disse, hoje, pela manhã:

"Obrigado, Chíco!" Referia-me ao sonho, ao seu aviso.

Mas esqueci-me de atendê-lo, pois saí armado e, se não fosse o concurso de nossos amigos espiri­tuais na hora justa teria feito hoje uma grande asneira, poderia até ter matado alguém... Mas a lição ficou, Chico.

- Muito obrigado, Deus nos ajude sempre!...

Livro: Lindos Casos de Chico Xavier - 48
Ramiro Gama

bjs,soninha


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