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12.8.16

A Mágica Opção


Apareceu num programa de televisão. Eram entrevistadas pessoas idosas, convidadas a falar sobre a velhice.

Tinha setenta e cinco anos, mas aparentava sessenta, espirituoso, bem disposto, dotado de incrível jovialidade.

– Nunca me senti velho! O corpo já não apresenta a mesma vitalidade; de vez em quando há “grilos” de saúde. É natural. Trata-se de uma máquina. Embora eu cuide bem dela, vai se desgastando… Mas o coração está ótimo, nos dois sentidos: bombeia, incansável, o sangue, sem “ratear”, e se mantém enamorado de encantadora donzela: a Vida! Nunca experimentei o “peso dos anos” ou a angústia de envelhecer. Cada dia é uma nova aventura e eu a aproveito integralmente.

– Qual a fórmula, que elixir milagroso é esse, que lhe garante essa perene juventude emocional, essa esfuziante alegria? – perguntou, admirado, o entrevistador.

– Elementar, meu filho. Toda manhã, quando desperto, digo para mim mesmo: “Você tem duas opções, neste dia: ser feliz ou infeliz.” Como não sou tolo, escolho a primeira. Simples, não?

***
As pessoas felizes vivem neste mesmo mundo de expiação e provas em que todos mourejamos. Sofrem, lutam, enfrentam problemas e dificuldades, dores e atribulações, enfermidades e desgastes…

No entanto, optaram pela felicidade, superando a velha tendência humana de autocomiseração; o masoquismo de autoflagelar-se com uma visão pessimista e desajustada da existência, o cultivo voluptuoso da mágoa…

Felicidade, como ensina a sabedoria popular, não é uma estação na jornada humana. Trata-se de uma maneira de viajar.

Independente do que nos faz a Vida, subordina-se ao que dela fazemos.

Livro "Atravessando a Rua"
Richard Simonetti

Paz e Luz

15.10.15

O Cheiro do Dinheiro


Tito Flávio Vespasiano (9-79), fundador da dinastia Flávia, foi um dos mais bem-sucedidos imperadores romanos.

Embora tivesse governado por pouco tempo, de 69 a 79, acabou com as guerras civis que assolavam o império e promoveu sua unidade interna, inaugurando um período de grande prosperidade.

Como todos os governantes, tinha fraquezas. Uma delas era o dinheiro. Quanto mais, melhor!

Embora gracejasse com a própria ganância, estava sempre inventando meios de ampliar a arrecadação.

É famoso o episódio em que resolveu cobrar imposto pela utilização dos sanitários públicos.

Seu filho Tito, que mais tarde seria também imperador, o censurou por aquele exagero. 

A reação de Vespasiano ficou famosa.

Deu-lhe uma moeda para cheirar, enquanto proclamava:

Pecunia non olet – dinheiro não tem cheiro.

Não havia odores de urina no dinheiro, ainda que viesse dos mictórios.

Para Vespasiano dinheiro era sempre bem-vindo, não importando a procedência.

Em princípio, o dinheiro é neutro.

Pode ser bom ou mau – depende do uso.

Com ele compramos remédios para a criança doente, alimento para o faminto, agasalho para quem tem frio…

Também compramos o cigarro que provoca o câncer no pulmão, a arma para o assalto, as drogas que comprometem a existência…

Situando-se como móvel das ações humanas, o dinheiro pode ser fonte de miasmas pestilentos que contaminam a alma.

Alguns exemplos:

· - O traficante que sustenta o vício…
· - O comerciante que exercita a sonegação…
· - O industrial que explora os operários…
· - O investidor que especula nas bolsas…
   - O assaltante que espalha o terror…
· - O estelionatário que ilude pessoas…
· - A mulher que vende o próprio corpo…

A lista é interminável.

Mentores espirituais reportam-se a nauseabundos odores, característicos de Espíritos que na Terra estiveram envolvidos com o mal.

A ambição e a usura são exemplares típicos. Exalam maus odores, espiritualmente, os que se comprometem com esses desvios.

Tais contaminações, que se entranham na Alma, exigem lixas grossas, de atribulações e sofrimentos, para serem expurgadas, ao longo de muitas reencarnações.

Certamente, leitor amigo, os recursos financeiros de que você dispõe foram adquiridos de forma diferente, esforço árduo e honrado.

É dinheiro limpo, com o qual você atende suas necessidades de subsistência e garante a estabilidade da família e o futuro dos filhos.

Sua alma vem usando o banho lustral da honestidade, do discernimento, sem prejudicar a ninguém. E quando você retornar ao mundo Espiritual, não causará constrangimentos odoríferos aos benfeitores espirituais.

Pode fazer ainda melhor – reverter parte de seus rendimentos em favor dos sofredores e aflitos de todos os matizes.

Costuma-se dizer que quem dá aos pobres, empresta a Deus.

É uma operação sui generis, porquanto o Senhor nos ressarce de imediato, com bênçãos de conforto, alegria e bem-estar.

De quebra, deliciamo-nos com a incomparável fragrância que se expande quando abrimos esse maravilhoso frasco, que contém o abençoado perfume da caridade!

7.11.14

Depurativos da Alma


1 – Segundo os princípios de causa e efeito que nos regem, podemos dizer que todas as doenças são originárias de nossos comprometimentos com o erro no passado remoto?
Não apenas no passado remoto, em pretéritas existências, mas também no passado bem próximo, na existência atual. Em sua maior parte nossos problemas de saúde não são decorrentes do que fizemos no passado. Originam-se do que estamos fazendo no presente.

2 – Existe alguma diferença entre ambas?
As doenças do presente são de uso. Pilotamos uma máquina, o corpo, para o trânsito pela Terra. Se a usamos mal ela se desajusta e surgem as doenças. Hipertensão arterial pode ter sua origem no comportamento bilioso de existência anterior. No entanto, é mais provável que seja decorrente do sedentarismo e dos abusos na alimentação na existência atual.

3 – E as do passado?
São de abuso. Surgem a partir da composição genética, na reencarnação. Refletem graves comprometimentos com o erro, o vício, o crime… Funcionam como escoadouros para autênticos tumores da alma nascidos de nossos desatinos no pretérito, em processo depurativo.

4 – Quanto às doenças transmissíveis, como a dengue, podemos considerá-las cármicas?
Sim, se analisarmos a assunto sob o ponto de vista ecológico, de desrespeito pelas regras básicas em nosso relacionamento com a Natureza, marcado pela imprudência e a ambição. Epidemias de dengue que assolam o país são efeito da falta de cuidados de prevenção, tanto da parte do governo, quanto da população no sentido de evitar a proliferação do aedes aegypti, principal transmissor da doença. Com esse comportamento geramos, digamos, o carma da dengue.

5 – Não podemos, então, dizer que uma pessoa vitimada pela dengue está resgatando seus débitos de pretéritas existências?
Pode acontecer, mas sem generalizações, porquanto ficaria difícil explicar por que os esquimós nunca ouviram falar em dengue. Não há para eles o carma da dengue? Ou será porque não há no Pólo Norte o aedes aegypti, em virtude das baixas temperaturas? E por que quando o governo e a população se unem no combate ao mosquito a doença regride? Cessa o carma?

6 – Se a pessoa traz desajustes espirituais, quais tumores virulentos que vão aflora,r dando origem a doenças graves, não estaria a Medicina perturbando esse resgate com sua interferência?
O carma está no tumor que irrompe. Aqui funciona a justiça divina, depurando a alma. A função da Medicina é abreviar o sofrimento do paciente, livrando-o tão cedo quanto possível das dores que envolvem essa depuração. Aqui entra a divina misericórdia.

7 – Se a interferência do médico curar um mal sem que o processo depurativo tenha se completado, o que acontecerá?
Se eliminarmos um tumor, mas permanecerem as causas que lhe deram origem, novos tumores surgirão, retomando a depuração física. O mesmo acontece com os tumores da alma.


8 – Como situar nesse contexto a cura obtida por pessoas possuídas de fervor religioso?
O processo é o mesmo. A diferença está na substituição da Medicina pela fé, amenizando e abreviando os padecimentos do doente.



11.2.14

Missões


1 - Somente os Espíritos Superiores cumprem missões?

Missionário é aquele que se incumbe de determinada tarefa, o que todos podemos fazer, a partir da missão fundamental, inadiável: trabalhar em favor de nossa edificação espiritual.

2 - Como entender, nesse contexto, a afirmativa de Jesus: ‘Muitos os chamados, mas poucos os escolhidos”?

Deus não tem preferências. Todos somos convocados à gloriosa missão de edificar um mundo melhor, o Reino Divino. São escolhidos os que se dispõem a servir. Dentre estes, que se contam nos dedos, os maiores, como ensinava o Mestre, serão os que mais servirem.


3 - Como fica um policial que, no cumprimento de sua missão de preservar a ordem, envolve-se num tiroteio e mata um criminoso?

Houve a intenção de matar? Prazer em eliminar o bandido? Sadismo? Crueldade? Ou foi legítima defesa, sem intenção homicida? Sua responsabilidade estará subordinada às suas motivações. É um assunto entre ele e a Justiça Divina.


4 - Qual a missão de uma pessoa que não se casou, que não tem filhos, nem família, nem amigos, nem ninguém, vivendo Isolada?

Saulo de Tarso atravessou essa contingência quando se converteu ao Cristianismo. Amigos e familiares o abandonaram, situando-o por traidor de Moisés. Os cristãos o evitavam, duvidando de sua sinceridade. Superou-a resoluto, com os valores de uma dedicação sem limites à causa evangélica, transformando-se no grande arauto do Cristianismo. Quase sempre, entretanto, semelhante situação decorre de tendência e não de contingência, sob inspiração de impulsos egocêntricos. A grande missão que compete ao indivíduo, neste caso, é a de romper o isolamento com o exercício da fraternidade.


5 - Que dizer de alguém que passa a vida tentando fazer pessoas felizes, sufocando quase sempre sua própria vontade e mesmo assim não é reconhecido e quase sempre deixado de lado, como se não contasse?

É preciso definir se prestamos benefícios espontaneamente às pessoas de nossa convivência ou se os comercializamos, esperando pagamentos de gratidão e consideração. Neste caso nunca nos sentiremos devidamente remunerados. O ato de servir tem sua própria compensação, oferecendo-nos bênçãos inefáveis, sem necessidade de cobranças que distanciam os beneficiários de nossa dedicação.


6 - Se todos temos uma missão a cumprir, como saber se não estamos nos transviando, deixando de lado as tarefas a que nos propusemos?

Basta consultar a própria consciência, definindo se estamos satisfeitos com nossa vida, com o que fazemos, com nosso comportamento.


7 - Pais que tratam com carinho os filhos, procurando orientá-los e encaminhá-los para o Bem, podem ser considerados missionários fracassados se eles seguem caminhos de irresponsabilidade?

Fiquem tranquilos. Não houve fracasso. A semeadura foi feita. Germinará no tempo oportuno, quando a vida impuser aos filhos a cobrança de seus desatinos.


8 -Uma jovem solteira tem um bebê e o entrega para adoção. Foi intermediária de uma família que deveria receber esse Espírito como filho adotivo ou simplesmente refugou a missão da maternidade?

Assim como há a chamada “barriga de aluguel”, mulheres que se dispõem a acolher em seu ventre óvulo alheio, diríamos que há a “madre de transição”, que possibilita a vinda, por vias indiretas, de um Espírito ligado a determinado agrupamento familiar. Quanto à responsabilidade da jovem mãe, depende de suas motivações. Entregou o filho porque se sentia sem condições para cuidar dele ou por que não queria compromisso? De qualquer forma a experiência repercutirá em sua consciência, em favor de seu amadurecimento espiritual.

*Richard Simonetti*

20.1.14

A Conquista da Paz


Glória a Deus nas Alturas, paz na Terra aos homens de boa vontade.
Lucas, 2:14

A paz é o tempero da Vida.
Impossível viver bem sem ela.
Felicidade? Nem pensar!
Pesa o fardo, se a perdemos!...

***

Jesus nos orienta para a conquista da paz.
Em seus fundamentos, uma única condição:
Que tenhamos boa vontade, a vontade de ser bom...
Exercitá-la é oferecer:
Amparo ao familiar...
Consolo ao aflito...
Perdão ao ofensor...
Ajuda ao necessitado...
Socorro ao doente...
Orientação ao ignorante...
Ação decidida, fazendo o melhor onde estivermos.

***
Boa vontade é o compromisso que devemos assumir com o Cristo, a fim de que a paz não seja fugidia sensação colhida em assembleias religiosas, mas uma conquista definitiva, abençoada luz em nossos caminhos, ainda que transitemos pela escuridão das misérias humanas!

*Richard Simonetti*

2.9.13

A Ajuda Divina


Chovia torrencialmente. O rio transbordava, as águas invadiam o vilarejo.
Aquele crente, que morava sozinho em confortável vivenda multiplicou, orações, pedindo a assistência do Céu.
Em dado momento, ante o avanço da enchente, foi para o telhado, confiante de que Deus o salvaria.
As águas subindo…
Passou um barco recolhendo pessoas ilhadas.
– Não é preciso. Deus me salvará!
As águas subindo…
Passou uma lancha…
– Fiquem tranqüilos! Confio em Deus.
As águas subindo…
Passou um helicóptero…
– Sem problema! Deus me protegerá.
As águas subiram mais, derrubaram a casa e o homem morreu afogado…
Diante do Criador, na vida eterna, reclamou:
– Oh! Senhor! Confiei em ti e me falhaste!
– Engano seu, meu filho! Mandei um barco, uma lancha e um helicóptero para recolhê-lo!

***
Não estamos entregues à própria sorte, como sugere o pensamento materialista de Jean Paul Sartre (1905-1980).
O Senhor não esquece ninguém. A todos estende sua mão complacente, dando-nos condições para enfrentar nossas dificuldades e dissabores.
Há um problema: raramente identificamos a ação divina. Isso porque as respostas de Deus nem sempre correspondem às nossas expectativas.
Pedimos o que desejamos.
Deus nos dá o que precisamos.
Os temporais da existência simbolizam as esfregadas da Providência Divina, ensejando mudança de rumo.

Senão, vejamos:

1. A doença respiratória…
2. O lar em desajuste…
3. A dificuldade financeira…
4. A perda do emprego…
5. O acidente automobilístico…

São situações constrangedoras que nos perturbam.
Pedimos a ajuda divina.
Deus vem em nosso auxílio, mas é preciso que nos disponhamos a tomar o barco do futuro, deixando no passado velhas tendências.
Podemos considerar, na mesma seqüência, que:

1. O tabagismo afeta os pulmões.
2. A incompreensão conturba o relacionamento afetivo.
3. A indisciplina nos gastos faz rombos nas contas
4. A displicência profissional resulta em demissão.
5. A irresponsabilidade no trânsito favorece desastres.

A pouca disposição em encarar nossos erros e desacertos, como causa de nossas dificuldades e problemas, neutraliza a ação divina em nosso benefício.
As crises sugerem mudanças.
Se não mudamos com elas, sempre nos sentiremos abandonados por Deus, incapazes de identificar o socorro divino.

***
A propósito vale lembrar interessante texto, que me veio ter às mãos, sem indicação do autor:

Pedi a Deus para tirar os meus vícios.
Deus disse:
– Compete a ti superá-los.

Pedi a Deus para fazer completo meu filho deficiente.
Deus disse:
– Seu Espírito é completo. O corpo é temporário.

Pedi a Deus para me dar paciência.
Deus disse:
– Paciência não é dádiva. É aprendizado.

Pedi a Deus para me dar felicidade.
Deus disse:
– Eu dou bênçãos. Felicidade depende de ti.

Pedi a Deu para me livrar da dor.
Deus disse:
– Sofrer te afasta do mundo e te aproxima de Mim.

Pedi a Deus para fazer meu espírito crescer.
Deus disse:
– Deves crescer por si próprio. Farei a poda para que dês frutos.

Pedi a Deus todas as coisas que me fariam apreciar a vida.
Deus disse:
– Eu te darei Vida para que aprecies todas as coisas.

Pedi a Deus para me ajudar a amar os outros como Ele me ama.
Deus disse:
– Ahhh! Finalmente entendeste!

Richard Simonetti
Do Livro Abaixo a Depressão

31.8.13

Anjos


1 – O Espiritismo admite a existência dos anjos?

Em termos. Admitimos assim como o Islamismo, o Cristianismo e o Judaísmo, que os anjos atuam como prepostos de Deus, intermediários entre o Céu e Terra. Todavia, não os consideramos privilegiados na obra divina.

2 – Por que privilegiados?

Porque não teriam passado pelas atribulações humanas. Teriam nascido com a plenitude do conhecimento e das potencialidades que fazem deles seres especiais, o que se afigura uma injustiça. Por que eles e não nós? Não somos todos filhos de Deus? Não é o Senhor a equidade perfeita, sem preferências, sem eleitos, como se espera de um pai celeste?

3 – E o que nos diz o Espiritismo sobre os anjos?

São irmãos nossos, Espíritos como nós, em estágios superiores de evolução, o que os habilita a atuar como prepostos de Deus. Ao longo dos milênios sem fim desenvolveram suas potencialidades, superaram suas imperfeições, harmonizaram-se com o Universo, aprenderam a vivenciar as leis divinas.

4 – Se são Espíritos como nós, mas à nossa frente na jornada evolutiva, podemos dizer que são mais velhos, mais experientes?

Exatamente. Provavelmente já estavam bem longe nos caminhos do conhecimento quando nós ainda nem existíamos. Como não há inatividade na obra da Criação, essas entidades angelicais atuam como prepostos de Deus, seus emissários junto às criaturas humanas.

5 – E o anjo da guarda?

Geralmente é um familiar nosso, alguém ligado ao nosso coração, desde existências anteriores, que se propõe a nos guiar pelos caminhos humanos, ajudando-nos a superar dificuldades e limitações.

6 – Todos têm seu anjo de guarda? Mesmo as pessoas comprometidas com o vício e o crime?

A resposta é afirmativa. Temos, não raro, vários protetores, Espíritos ligados ao nosso coração, que nos inspiram ao Bem. O problema é que as pessoas se comprometem tanto em caminhos escusos que perdem a sintonia com eles.

7 – Nos momentos de dificuldade podemos apelar para os protetores espirituais?

Sem dúvida. Se concentrarmos nosso pensamento em oração, pedindo que nos ajudem, estabeleceremos a sintonia necessária, habilitando-nos a receber sua orientação pelos condutos do pensamento. Ficaríamos espantados se tivéssemos noção de quantas vezes eles se aproximam de nós, nos momentos difíceis, buscando inspirar-nos a fazer o melhor.

8 – Os anjos também encarnam na Terra?

Sim, e o fazem com freqüência, em gloriosas missões em favor das coletividades terrestres ou simplesmente para ajudar entes queridos. No livro Renúncia, psicografia de Francisco Cândido Xavier, temos a história de Alcione, um anjo que transitou quase no anonimato pela Terra, mas beneficiando todos aqueles que gravitaram em torno de sua figura sublime. É um romance maravilhoso e inesquecível.

30.8.13

A Pulga


Entusiasmada com a revelação que lhe fora feita por um médium, a senhora comentou:

– Chico, recebi uma notícia maravilhosa!

– O que foi, minha irmã?

– Minha identidade nos tempos apostólicos!

– Beleza!

– Fui mártir. Estive no Circo Romano. Morri devorada por um leão!

Ante a admiração do médium, perguntou:

– E você, Chico, já sabe quem foi?

– Ah! minha irmã, sei sim…

– E daí? Estou curiosa…

– Fui a pulga do leão.

**********

O episódio, que nos fala da humildade e do bom-humor de Chico, remete-nos a uma curiosa tendência, relativa às famosas revelações.

Geralmente, o iluminado foi rei, rainha, estadista, cientista, artista famoso…

Sempre alguém importante, que se destacou em determinado setor de atividade.

Não se ouve falar de lixeiro, operário, camponês, homem do povo…

Detalhe relevante, nesse assunto, amigo leitor:

Considerando que os que se destacam na política, nas artes, na religião, constituem minoria, certamente há algo de equivocado nessas revelações que privilegiam todos os consulentes.

A experiência demonstra que são produzidas por médiuns ou Espíritos espertos, interessados em incensar a vaidade das pessoas, a fim de conquistar sua confiança e admiração.

Raros não sentem inflar o ego ante a informação de que foram figuras destacadas, em pretéritas existências.

Daí sua disposição em oferecer créditos de cega confiabilidade em favor desses “reveladores”.

**********
Não é prudente, portanto, nem conveniente, estarmos devassando o passado, à procura de títulos e honrarias. 
Destaque-se que a simples estima por notícias dessa natureza é um atestado negativo. 
Os Espíritos esclarecidos, que realmente ofereceram contribuições marcantes, aqueles que deixaram a Terra melhor do que a encontraram, não se interessam por glórias do passado. 
Importa-lhes as realizações do presente, dando o melhor de si mesmos em favor do progresso e do bem-estar da Humanidade.
********** 

Mesmo sem procurar por revelações, podemos ter uma ideia do que fomos, analisando nossas tendências, nossa maneira de ser.

Mas, é preciso cuidado para não interpretar de forma equivocada os sinais.

Alguns exemplos:

• Gostar de roupas elegantes e caras.
Suposição: dama da realeza.
Realidade: costureira de modista.

• Apreciar finas iguarias.
Suposição: rico e refinado gourmet.
Realidade: cozinheiro.

• Estimar a solidão.

Suposição: filósofo.
Realidade: longo e solitário estágio no Umbral.

• Apreciar viagens.

Suposição: desbravador de terras novas.
Realidade: caixeiro-viajante.

• Amor à primeira vista.
Suposição: reencontro com alma gêmea.
Realidade: paixão delirante.

Mais interessante deixar o terreno das suposições e encarar a realidade.

Se Chico dizia-se a pulga do leão, é bem provável que tenhamos sido um Dipylidium caninum, o verme da pulga.

Livro Rindo e Refletindo com Chico Xavier

18.4.13

Parentela


Está no Evangelho de Mateus (12:46-50) que Jesus pregava a pequena multidão, em uma residência, quando foi informado de que sua mãe e seus irmãos o procuravam e desejavam falar-lhe.Perguntou o Mestre:

- Quem é minha mãe e quem são meus irmãos?

E, indicando seus discípulos:

- Eis aí minha mãe e meus irmãos! Pois quem cumpre a vontade do meu Pai que está nos céus, esse é meu irmão, irmã e mãe.

Estranha essa reação de Jesus. Uma desconsideração para com sua família, particularmente sua mãe, por quem, em outras oportunidades, sempre demonstrou solicitude.

Sua primeira aparição na vida pública, nas Bodas de Caná, deu-se ao lado de Maria.

Sua última preocupação, na cruz, foi com Maria, que confiou aos cuidados do apóstolo João.

Melhor que ninguém Jesus conhecia e cumpria o dever de honrar pai e mãe, consoante o princípio divino enunciado na Tábua da Lei, o que, obviamente, implica dar-lhes atenção e deles cuidar.

Por que, então, essa aparente contradição?

Não é difícil definir o que ocorreu.

Suponhamos que eu estivesse em casa de amigos espíritas, falando a respeito da pluralidade dos mundos habitados.

Alguém avisa:

- Richard, sua mãe e seus irmãos estão aí fora e querem falar-lhe.

Soaria mal.

Mas se estivesse falando sobre os valores da fraternidade, considerando a existência da família universal, filhos de Deus que somos todos, então a observação surgiria como uma ilustração, sem causar estranheza.

É provável que assim tenha ocorrido com Jesus.

Como o episódio foi registrado fragmentariamente, a observação pode sugerir uma desconsideração com sua família.

Há várias passagens evangélicas em que temos dificuldade para compreender seu pensamento, que nos parece enigmático e obscuro justamente porque houve um registro precário, sem que saibamos das circunstâncias que ensejaram a lição das explicações posteriores que ofereceu aos ouvintes.

Consideremos também o problema da afinidade. Explica Kardec, em "O Evangelho segundo o Espiritismo", que as palavras de Jesus sugerem que há uma parentela carnal e uma parentela espiritual.

Os parentes pela carne são aqueles que tem o mesmo sangue. Pais e filhos, irmãos e irmãs...

Não raro, embora vivendo sob o mesmo teto, atendendo a variados compromissos, estão separados pela diferença de aptidões, de tendências, de estágio evolutivo...

As ligações pela carne podem ser constrangedoras e atritantes, porquanto envolvem pessoas que devem caminhar juntas mas não entram em acordo quanto aos caminhos ideais.

Se não conseguem ajustar-se, exercitando entendimento, podem resvalar para a frustração e a rebeldia, transformando o lar em palco de lamentáveis dramas, onde se fazem presentes a traição, a agressão, a deserção...

Já a parentela espiritual é diferente. São Espíritos que se identificam nos mesmos ideais, nas mesmas tendências, nos mesmos desejos de realização superior, estabelecendo preciosos elos de simpatia e afetividade.

As ligações humanas podem romper-se com a morte, se determinadas apenas pelo sangue; mas as ligações espirituais, sustentadas pela afinidade, prolongam-se além-túmulo.

Formam famílias ajustadas e felizes, cujos membros ajudam-se sempre, cada vez mais unidos, embora atendendo, eventualmente, a compromissos distintos.

Pode ocorrer que um membro de nossa família espiritual não esteja reencarnado ao nosso lado, mas poderá ter assumido a posição de nosso mentor, o chamado anjo de guarda, que nos acompanha, estendendo sobre nós sua proteção e nos estimulando ao cumprimento de nossos deveres.

Quem melhor que o membro qualificado da família espiritual poderia desempenhar com maior dedicação e eficiência semelhante tarefa?

Imagino a esposa pensando:

Agora sei por que é tão difícil conviver com aquela besta que se intitula meu marido. Certamente é um inimigo do passado que devo aturar para ver-me livre dele um dia.

O marido:

Ainda bem que aquela megera que se faz mãe de meus filhos pertence apenas à família humana. Não precisarei me preocupar com ela quando o diabo a levar.

O filho:

Desconfio não existir nenhuma ligação maior com meus pais. São uns quadrados que só complicam minha vida. Logo que puder darei no pé. Quero distância...

Gente que pensa assim não entendeu bem o espírito da lição. A convivência com a parentela carnal não é um mero exercício de forçada tolerância para que nos livremos dela um dia.

A finalidade maior é a harmonização.

Trata-se de aprendermos a conviver bem com os familiares, criando elos de simpatia e afeto, ainda que sejamos diferentes.

Se apenas toleramos aquele que está a nosso lado, guardando mágoas e ressentimentos, estaremos perdendo o nosso tempo e semeando dificuldades para o futuro.

Certamente todos gostaríamos de pertencer à família de Jesus. Para tanto, segundo suas palavras, é preciso cumprir a vontade de Deus.

Parece meio complexo, não é mesmo, amigo leitor?

Saber o que Deus espera de nós...

É assunto de uma vida para os filósofos.

É desafio de muitas bibliotecas para os pesquisadores.

Aqui entra a incomparável sabedoria do Mestre.

Em breve enunciado ao alcance de todas as inteligências, explica que cumprir a vontade de Deus é fazer pelo semelhante todo o bem que gostaríamos de receber.

Simples, não é mesmo?

Simples e eficiente, principalmente no lar.

Quando alguém se torna irmão de Jesus a família humana é invariavelmente beneficiada.

Ninguém consegue ficar indiferente a exemplos diários de abnegação e sacrifício, compreensão e renúncia, bondade e discernimento.

Quando, observando o Evangelho, deixamos de ver nos familiares a besta, a megera, o quadrado, e os enxergamos como a nossa oportunidade de colaborar com Deus na edificação de seus filhos, operam-se prodígios de entendimento em favor da mais gloriosa das realizações:

Integrar-nos todos na família universal.

Richard Simonetti

14.4.13

As Duas Gatas


As duas meninas, sete e nove anos, brincavam na calçada.

Nas proximidades, a gata rueira, impossível de ser contida nos limites da casa, como todos os felinos.
A bichana resolveu atravessar a rua.

Um automóvel aproximava-se, veloz.

Ela esgueirou-se, rápido.

Escapou por um triz, como sempre, valendo-se das “sete vidas” com que o imaginário popular brinda a agilidade dos felinos.

Certamente gastou a última, porquanto outro carro vinha em sentido contrário e a pobre foi colhida por rodas implacáveis.

Em segundos expirava, velada pelas meninas que choravam em desolação, traumatizadas com a violência presenciada, inconformadas com a perda de sua Juju.

Papai, a Juju cumpriu um carma?

– Não, filhinha. Animais não têm dívidas a pagar. São conduzidos pelas forças da Natureza, sob orientação do instinto.

– Mamãe dizia que era uma criminosa, destruidora de cortinas e estofados!

– Não fazia por mal… Apenas afiava as garras, como todo felino.

– Podemos orar por ela?

– Certamente! Será como se lhe fizessem um carinho à distância.

– Quando morrermos, vamos encontrá-la?

– Talvez… As almas dos animais não costumam demorar-se no Além.

– Animal também reencarna?

– Sim. Faz parte de sua evolução.

– Gato pode reencarnar como cachorro?

– Sem dúvida, e também em outras espécies, em constante desenvolvimento, ao longo dos milênios.

– Que bom papai! A Juju poderá voltar como filha de nossa Baby!

Algum tempo depois, Baby, a cadelinha, despeja no mundo quatro filhotes.

As meninas encantam-se, particularmente com a menor.

– Veja, papai! Tem a mesma cor de nossa Juju e até os olhos puxadinhos. Deve ser ela!

– Pode ser, filhinha – sorriu o pai, condescendente.

Não seria caridoso contestar a animadora fantasia.

Afinal, não era impossível… Como devassar os meandros da evolução, a progressão das experiências, as espécies a que se liga o princípio espiritual, na longa jornada rumo à consciência?

– Podemos ficar com ela?

– Se quiserem…

– Vai chamar-se Juju.

– Tudo bem.

Observando o entusiasmo das meninas, conjecturava o pai, com seus botões:

“Ah! Vida abençoada! Sempre a brotar, irresistível, plena de esperanças, sobrepondo-se à desolação da morte!”

Livro Para Rir e Refletir: Richard Simonetti

17.10.12

ALMAS GÊMEAS



Pinga-fogo entrevista Richard Simonetti


1 – Existem as almas gêmeas, metades eternas que se buscam para uma união perfeita, uma felicidade sem fim?

Segundo informações colhidas por Kardec (O Livro dos Espíritos, questões 298 e 299, e Revista Espírita, maio de 1958), os Espíritos não são criados aos pares. Não existem metades eternas ansiosas por se encontrarem.

2 – Em O Consolador, psicografia de Francisco Cândido Xavier, o Espírito Emmanuel defende a idéia das almas gêmeas.

Sim, mas como ele mesmo destaca, não se reporta a metades eternas que se buscam, mas a Espíritos que se ligam por laços de legítima afetividade, ao longo dos milênios, no desdobramento de experiências evolutivas. Acredito que a Misericórdia Divina favorece esse tipo de ligação, a fim de que ambos se auxiliem e se amparem mutuamente.

3 – Certamente Emmanuel situa em Lívia, sua esposa no livro Há Dois Mil Anos, uma alma gêmea. No entanto, como fica a tese de auxílio mútuo, se ela era mais evoluída do que ele? Não deveriam Espíritos ligados por laços tão fortes caminhar juntos nas veredas da evolução?

A evolução do Espírito depende, essencialmente, de seu esforço. Uns seguem mais depressa, outros vão mais devagar. E talvez esteja aí, em essência, a razão pela qual o Criador estabelece essas ligações tão profundas entre duas almas, favorecendo a retardatária com o amparo da que segue à frente. Vemos um exemplo típico a respeito do assunto no livroRenúncia, psicografia de Francisco Cândido Xavier, que nos fala de Alcione, uma entidade angelical que renuncia às paragens celestes para ajudar sua alma gêmea, um companheiro retardatário, ainda comprometido com os enganos humanos.


4 – Como ficam as famílias espirituais se assim considerarmos? Não são constituídas, também, de Espíritos que se harmonizam ao longo do tempo, ajudando-se mutuamente?

Sem dúvida, e a tendência é ampliar-se cada vez mais a família espiritual, na medida em que outros Espíritos passem a fazer parte dela. Não obstante, segundo a ponderável tese de Emmanuel, cada um de seus membros terá sua alma gêmea.


5 – Pode ocorrer que esses pares afins, que Emmanuel situa como almas gêmeas, reencarnem ligados pelo laços do sangue, tipo pai e filha, mãe e filho, irmãos?

Pode acontecer, atendendo às experiências evolutivas que escolham ou que lhes sejam impostas. Temos aí a origem de ligações muito fortes entre dois membros de uma família, uma afinidade intensa e uma afetividade que transcende a mera ligação consanguínea.


6 – Podem as almas gêmeas experimentar o dissabor de uma separação definitiva?

Se são Espíritos que a sabedoria divina ligou por sagrados elos, em favor de sua evolução, tal contingência nunca acontecerá, mas ao longo da jornada certamente haverá separações transitórias, como, por exemplo, a morte de um deles, quando juntos na carne, ou a reencarnação, quando juntos na Espiritualidade. Ou pode acontecer de um reencarnar e o outro permanecer no Além.


7 – Pode ocorrer que, em face de determinados comprometimentos, o Espírito perca o contato com a sua alma gêmea, que segue à sua frente na jornada evolutiva?

Alguns relatos de André Luiz e Emmanuel, pela mediunidade de Chico Xavier, nos dão conta de que isso pode acontecer, não propriamente uma perda de contato, mas uma impossibilidade transitória de união, até como um estímulo para que o retardatário apresse o passo, ensejando o reencontro, ideal que será intensamente acalentado por ambos.


8 – Pode ocorrer que nas lides humanas venham a encontrar-se almas gêmeas que já estão vinculadas a outros compromissos afetivos, com famílias constituídas?

Sim, por imperativos cármicos, em face de desvios do passado e como ensejo para o exercício de renúncia e sacrifício. Se mantiverem fidelidade aos seus compromissos, estarão crescendo espiritualmente e habilitando-se à realização de seus anseios de união, mais tarde, quando retornarem à Espiritualidade. Se decidirem deixar a família humana para estarem juntos, fatalmente terão problemas pela frente, já que ninguém pode pretender construir a própria felicidade sobre a infelicidade alheia, no caso dos familiares negligenciados.


9 – Em altos planos do infinito, entre Espíritos puros e perfeitos, subsiste a ligação das almas gêmeas?

Os que lá vivem não mais se ligam a alguém, na experiência das almas gêmeas, ou a alguns na experiência da família espiritual. Ligam-se a toda a criação, na divina experiência do amor universal. O seu lar, o Universo; sua família, todos os filhos de Deus.

21.9.12

A Espada de Dâmocles


Dionísio, o Velho (430-367 a.C.), general astuto e hábil, salvou Siracusa do domínio de Cartago, tornando-se rei.
Sua fama era péssima.
Impunha-se pela força e a crueldade.
Não obstante, tinha seus temores.
Como todos os tiranos, trazia as barbas de molho; desconfiava de tudo e de todos. Imaginava-se prestes a ser envenenado ou apunhalado por covardes traidores e implacáveis inimigos.
Um de seus cortesãos, Dâmocles, incensava a vaidade do tirano, situando-o como alguém invejável por suas riquezas e poderes.
Dionísio dispôs-se a demonstrar-lhe que não era bem assim…
Certa feita o convidou a tomar seu lugar numa festividade. Seria rei por uma noite, a fim de experimentar as delícias do poder.
Em plena euforia, cercado de aduladores, Dâmocles sentia-se o dono do Mundo, ainda que por breves horas.
Extasiava-se, quando, ao olhar para o teto, pôs-se trêmulo e apavorado.
Viu uma espada afiadíssima, suspensa sobre sua cabeça, tendo a sustentá-la frágil crina de cavalo.
Dionísio explicou-lhe que essa era sua própria condição.
Permanentemente ameaçado por incontáveis perigos.
Já que Dâmocles quisera desfrutar os prazeres do poder por uma noite, experimentaria, também, a perspectiva apavorante:
A espada poderia desabar sobre sua cabeça, perfurando-lhe os miolos.
Podemos imaginar o que foi aquela noite para o pobre cortesão…

***

A espada de Dâmocles simboliza a precariedade das situações humanas.
Doenças, dificuldades, problemas, desilusões, amarguras, dores, acidentes, roubos podem nos atingir inesperadamente.
A própria morte, não raro, aproxima-se sorrateira.
Age como um ladrão.
Não sabemos quando, onde e como se apresentará.
Viver é um risco. É por isso que muita gente situa-se inquieta, tensa, nervosa, à maneira do apavorado cortesão.

***

Não obstante, podemos conservar, em qualquer situação, a capacidade de viver tranqüilos e felizes.
Basta lembrar que, acima das contingências humanas, há a presença soberana de Deus, o Senhor Supremo.
Diz o salmista (Salmo 23):

O Senhor é o meu pastor.
Nada me faltará.
Deitar-me faz em pastos verdejantes.
Guia-me mansamente a águas tranqüilas.
Refrigera a minha alma.
Guia-me nas veredas da justiça por amor do seu nome.
Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal algum, porque tu estás comigo…

Proclama o apóstolo Paulo (Romanos, 8:31):

Se Deus estiver conosco, quem estará contra nós?

É exatamente assim, amigo leitor.
Considerando que Deus está sempre conosco, não há por que temer absolutamente nada, nem mesmo a morte. O Senhor nos amparará quando ela nos embarcar, inexorável, no comboio para o Além, desdobrando-nos novas experiências.
Devemos considerar apenas uma questão pertinente, algo de que devemos cogitar todos os dias, ajudando-nos caminhar sem desvios e com segurança:
Estamos com Deus?

Livro Rindo e Refletindo com a História
Richard Simonetti

Paz a todos...

10.9.12

O Santo Casamenteiro



A jovem era devota de Antônio de Pádua.

Orava, genuflexa, diariamente, reiterando rogativas:

– Abençoa meus familiares, dá-lhes saúde e paz. Quanto a mim, santo querido, peço seus préstimos, ajudando-me a encontrar um companheiro, um bom rapaz que realize meu sonhos de um lar feliz, abençoado por muitos filhos…

A família até que ia bem, certamente amparada pelo santo…

Quanto ao casamento, nada feito. Ele parecia fazer ouvidos moucos.

Entrava ano, saía ano, e nada de aparecer o príncipe encantado.

Já quase conformada em ser “titia”, viu-se, certa feita, em sonho, diante do grande pregador do Evangelho.

Sem vacilar, cobrou-lhe resposta às reiteradas solicitações.

– Meu santo, tenho feito tudo para merecer suas graças, arranjando-me um companheiro, conforme sua especialidade. Guardo recato. Pouco saio, fugindo às tentações. Só vou à igreja… Comungo diariamente, acendo velas em sua homenagem, repito o rosário duzentas vezes, rogo ardentemente… O que está faltando?

O santo sorriu:

– Minha filha, tenho procurado ajudá-la, mas está difícil, porquanto depende de você. Participe da vida social, freqüente uma escola, integre-se em serviços comunitários, amplie seu círculo de relações… Dê uma chance ao amor!

**********

André Luiz faz interessante observação, em Ação e Reação, psicografia de Chico Xavier:

Deus ajuda as criaturas por intermédio das criaturas.

Sempre há Espíritos dispostos a atender nossas rogativas, quando orientadas pelo coração, em empenho contrito de comunhão com a Espiritualidade.

Podemos dirigi-las a Deus, a Jesus, aos santos, aos guias, protetores, aos anjos, de acordo com nossas convicções religiosas.

Os santos autênticos, Espíritos iluminados que passaram pela Terra, como Francisco de Assis, Antonio de Pádua, Tereza D’Ávila, Maria de Nazaré, Simão Pedro, não têm condições para atender, pessoalmente, às multidões que os procuram, em milhões de preces a eles dirigidas, diariamente.

Para tanto, contam com enorme contingente de auxiliares, que em seu nome ajudam os fiéis.
O mesmo acontece na área espírita, com veneráveis entidades, como Bezerra de Menezes, Eurípides Barsanulfo, Cairbar Schutel, Batuíra e, hoje, o nosso querido Chico Xavier.

Em nível mais modesto, há familiares, amigos e mentores desencarnados, que atentam às nossas rogativas, a partir de singelas iniciativas.

Jamais estaremos desamparados.

Contamos, invariavelmente, com o amparo das criaturas de Deus que, em nome do Criador desenvolvem iniciativas que visam nosso bem-estar.

Ficaríamos surpreendidos se tivéssemos consciência do permanente empenho de nossos amigos espirituais, buscando ajudar-nos a aproveitar as oportunidades de edificação da jornada humana.
E o fazem por amor ao Bem, como é próprio dos Espíritos que vivenciam em plenitude as leis divinas, conscientes de que a felicidade do Céu está em socorrer as necessidades da Terra.

Não obstante, é preciso atentar a um detalhe quando rogamos auxílio aos benfeitores espirituais.

Eles não são babás, chamados a cuidar de marmanjos.

Sua função primordial é nos inspirar a fazer o melhor.

Mostram caminhos.

A iniciativa de caminhar é nossa.

É preciso sair a campo, lutar pelo ideal, trabalhar pela realização de nossos sonhos, para que não nos situemos como a jovem que estava ficando para titia, por fechar-se numa redoma, sem acesso para o “príncipe encantado”.
Do Livro Abaixo a Depressão.

Paz a todos...


6.1.12

Advento do Mundo de Regeneração


Richard Simonetti
no
Pinga Fogo

1 - Como poderíamos definir a diferença entre Mundo de Provas e Expiações, estágio atual da Terra, e Mundo de Regeneração, o próximo estágio?

Mal comparando, diríamos que nos Mundos de Provas e Expiações o egoísmo predominante, resquício da animalidade primitiva, é o elemento gerador de todos os males. No Mundo de Regeneração, consciências despertas para esse problema estarão empenhadas em superá-lo.

2 - Então no Mundo de Regeneração ainda prevalece o mal?

Prevalece a consciência de que é preciso vencê-lo com o empenho do Bem. Equivale a dizer que o mal nesses planetas não tem receptividade nos corações e tende a desaparecer.

3 - Fala-se que a promoção de nosso planeta para Mundo de Regeneração ocorrerá neste milênio, provavelmente nos próximos séculos. Não estamos diante de um otimismo ingênuo, considerando os graves problemas humanos, envolvendo crimes, guerras, vícios, violência urbana, terrorismo, a evidenciar que a maldade ainda impera?

Há muita gente envolvida com o mal, por ignorância. Estes serão renovados no desdobramento de suas experiências, particularmente com a mestra dor, em reencarnações regeneradoras. O problema está naqueles que constituem uma minoria barulhenta, com o mal entranhado em seus corações. Esses serão expurgados, quando chegar a hora.

4 - Tipo Bin Laden?

Sim, todos aqueles que se comprazem com a violência, o vício, o crime, sem a mínima sensibilidade em relação aos males que causam, aos sofrimentos que impõem aos seus irmãos.

5 - Para onde irão os Espíritos degredados?

Provavelmente para Mundos Primitivos, em posição inferior à Terra, conforme a escala apresentada por Kardec, em O Evangelho segundo o Espiritismo.

6 - Isso não contraria o princípio doutrinário de que o Espírito pode estacionar, mas jamais retrograda?

Um homem civilizado condenado a viver entre aborígines não sofre nenhuma perda em relação à sua inteligência, cultura e conhecimentos, que, inclusive lhe serão úteis na nova situação, embora as limitações a que estará sujeito. O mesmo acontece com o Espírito degredado em planeta inferior.

7 - Não irá um Espírito intelectualmente evoluído, mas moralmente atrasado, causar embaraços aos habitantes desse mundo?

Não tanto quanto os benefícios que essa convivência ensejará. Os degredados estarão mais ou menos no mesmo estágio moral, mas superiores no estágio intelectual, favorecendo o progresso de seus hospedeiros, em cujo seio reencarnarão.

8 - E ficarão para sempre por lá?

Segundo Emmanuel, somos todos tutelados do Cristo, o governador espiritual de nosso planeta, compondo uma imensa família, de perto de vinte e cinco bilhões de Espíritos. Natural, portanto, que após superarem sua rebeldia e resgatarem seus débitos, ajustando-se às leis divinas, retornem os degredados ao convívio humano, o que poderá demandar milênios, mas forçosamente acontecerá. Como ensina Jesus, das ovelhas confiadas por Deus aos seus cuidados, nenhuma se perderá.

Paz a todos...



Religiao Espírita