21.2.14

Divaldo Franco tentou namorar...


Divaldo, você teve casos de amor na adolescência?

Quando vim para Salvador, era muito jovem e, concursado, fui trabalhar no IPASE. Via, após o expediente, os colegas saírem com as esposas, namoradas, maridos, e eu sozinho ia tomar o bonde. No dia seguinte, todo mundo contava que tinha ido ao cinema e falava das suas emoções, da convivência e do sexo. Aí comecei a ter conflitos e achar-me infeliz.

Um dia, decidi procurar uma namorada. No ponto do bonde percebi uma jovem me olhando. Não era o meu tipo, mas me fitava muito, sorriu, também sorri. Abordei-a. naquele tempo o namoro era muito romântico, até pega na mão demorava uma vida...

- Vai tomar o bonde? – perguntei-lhe.

- Oh, sim.

Embarcamos, sentamos juntos, conversamos e marcamos um encontro para o outro dia.

Cheguei eufórico em casa porque já tinha namorada. Ela trabalhava perto do Elevador Lacerda. Combináramos que eu ficaria no ponto do bonde e embarcaria quando a visse. Ela reservaria o lugar.

No dia seguinte, aguardava-a. Chamou-me e subi. Sentei-me num colo, levantei-me constrangido, e fiquei em pé, segurando no balaústre. Ela puxou a minha calça e disse:

- Sente-se.

Olhei para trás

E vi um homem. Atribui fosse o seu pai e sinalizei não poder sentar, mas ela insistia:

- Sente-se.

- Não posso, esse senhor...

Lá estava o homem sentado ao lado da moça, olhando-me. De repente, ele sumiu. Era um espírito. Acabou ali o namoro. Saltei do bonde envergonhado com o juízo que a namorada estaria fazendo de mim e nem olhei para trás. Acho que aquela Entidade tinha sido marido dela e ainda a vigiava...

_Retirado do livro: *Seara de Luz*_

Paz...

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