30.4.13

Sentido Histórico da Bíblia e a sua Natureza Profética



Qual a posição do Espiritismo diante do problema bíblico? Os recentes debates na televisão entre espíritas, pastores protestantes e sacerdotes católicos, deram motivo a algumas incompreensões, de que se aproveitaram adversários pouco escrupulosos da Doutrina Espírita, para lhe desfecharem novos e injustos ataques. Vamos procurar esclarecer, por estas colunas, a posição espírita, como já havíamos prometido. 

Kardec define essa posição, desde O Livro dos Espíritos, como a de estudo e esclarecimento do texto, à luz da História e na perspectiva da evolução espiritual da Humanidade. No cap. III deste livro, final do item 59, depois de analisar as contradições entre a Bíblia e as Ciências, no tocante à criação do mundo, ele declara: "Devemos concluir que a Bíblia é um erro? Não; mas que os homens se enganaram na sua interpretação". 

Essas palavras de Kardec, sustentadas através de toda a Codificação,esclarecem a posição espírita. Devemos reconhecer na Bíblia a sua natureza profética (ou seja: mediúnica), encerrando a l Revelação, no ciclo histórico das revelações cristãs. Esse ciclo começa com Moisés (l Revelação), defini-­se com Jesus (II Revelação) e encerra­-e com o Espiritismo (III Revelação). Os leitores encontrarão explicações detalhadas a respeito em O Evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, que é um manual de moral evangélica. O conceito espírita de Revelação, porém, não é o mesmo das religiões em geral. Revelar é ensinar, e isso tanto pode ser feito pelos Espíritos (revelação divina) quanto pelos homens (revelação humana), mas não por Deus "em pessoa", porque Deus age através de suas leis e dos Espíritos. A revelação bíblica, portanto, não pode ser chamada de "palavra de Deus". Ela é, apenas, a palavra dos Espíritos­ Reveladores, e essa palavra é sempre adequada ao tempo em que foi proferida. Isto é confirmado pela própria Bíblia, como veremos no decorrer deste estudo. 

A expressão "a palavra de Deus" é de origem judaica. Foi naturalmente herdada pelo Cristianismo, que a empregou para o mesmo fim dos judeus: dar autoridade à Igreja. A Bíblia, considerada "a palavra de Deus", reveste-­se de um poder mágico: a sua simples leitura, ou simplesmente a audiência dessa leitura, pode espantar o Demônio de uma pessoa e convertê­la a Deus. Claro que o Espiritismo não aceita nem prega essa velha crendice, mas não a condena. A cada um, segundo suas convicções, desde que haja boa intenção.

Visão Espírita da bíblia
J. Herculano Pires

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