5.3.12

Desdobramento: BILOCAÇÃO // BICORPOREIDADE // DUPLA PERSONALIDADE


Bilocação

Fenômeno mediante o qual se constata a presença de um mesmo Espírito encarnado em dois lugares, aparentemente ao mesmo tempo. 

Aparentemente, porque os Espíritos, conquanto possam irradiar seus pensamentos para muitos lugares ao mesmo tempo — os superiores, bem entendido — não possuem realmente o dom de ubiqüidade. 

A bilocação não é uma faculdade mediúnica mas um fato que se verifica em determinadas circunstâncias e que decorre do desdobramento, porque para encarnados não se pode dar bilocação sem exteriorização do Espírito.

Um exemplo clássico: Apolônio de Tiana estando em Efeso, falando em uma reunião calou-se repentinamente e logo em seguida passou a anunciar o assassinato do imperador, que nesse mesmo momento estava presenciando em Roma e no qual intervinha gritando: morte ao tirano!

Portanto, o fenômeno, do ponto de vista mediúnico, é sempre passageiro e tem dois aspectos consecutivos e complementares: desdobramento no primeiro e incorporação, vidência ou materialização, no segundo.

Incorporação quando o Espírito, abandonando seu corpo carnal no local onde se encontra, dá uma comunicação, falada ou escrita, em local diferente; vidência quando, exteriorizado do corpo em dado local, se manifesta astralmente em outro; e, finalmente, materialização quando, desdobrado num local, condensa-se de forma a poder ser visto em outro, por uma ou mais pessoas, mesmo não dotadas da capacidade de vidência. 
Bicorporeidade

É fenômeno da mesma natureza que bilocação, com a diferença que esta mostra o acontecimento em seu aspecto de local de manifestação enquanto que a bicorporeidade o mostra em relação ao veículo de manifestação; bilocação significando dois lugares e bicorporeidade significando dois corpos.

Mas o fenômeno, em si mesmo, é semelhante: o Espírito exterioriza-se no local onde está e mostra-se no local para onde se locomoveu.

Há todavia, modalidades diferentes do fenômeno, fato este que, justamente, motivou a série de classificações e explicações complicadas e confusas formuladas por alguns escritores espiritualistas.

Uma destas modalidades é o caso dos “doublés”; indivíduos que deparam com um corpo físico duplo do seu, dotado ainda mais, em algumas vezes, da faculdade de falar.

Não negamos estes fatos, dos quais há inúmeras referências na literatura espiritualista e, segundo sabemos, a duplicata tanto pode ser uma projeção ideoplástica do indivíduo-base, criada consciente ou inconscientemente (caso em que ela seria muda), ou se trataria de uma caracterização, uma simulação feita por um Espírito desencarnado, manifestando-se em aspecto físico, indumentária, etc., semelhantemente ao indivíduo-base, caso em que, então, o doublé poderia falar. 

Em se tratando, porém, de Espíritos desencarnados,  de certo grau hierÁrquico, estes podem fazer-se visíveis em lugares diferentes, como já dissemos; essa forma visível, nestes casos é animada e possui o aspecto e os característicos que o Espírito atuante deseja imprimir-lhe. 

Estes casos, entretanto, não devem ser considerados fenômenos de bilocação ou bicorporeidade, do setor mediúnico, visto que representam o exercício normal de um poder inerente a esses Espíritos. 

* * * 

Não é possível a um mesmo Espírito animar ao mesmo  tempo a dois corpos, quando mais não seja pela simples razão de que se a personalidade é variável, a individualidade é indivisível. 

Para tal seria necessário que o Espírito se bipartisse o que, fundamentalmente, não é possível, porque as ligações perispirituais da encarnação só se dão com um corpo material determinado e são tão profundas e especificamente individualizadas que somente com a morte se rompem. 

De tudo se conclui, como regra geral, que em todos esses casos, mutatis mutandis, o Espírito se exterioriza do seu corpo carnal no local onde se encontra e assim desdobrado manifesta-se em outros  lugares em variadíssimas condições e circunstâncias, mas nunca ao mesmo tempo e jamais em dupla individualidade. 
Dupla personalidade 

Há, por último, os casos de dupla personalidade, que consistem em um mesmo indivíduo apresentar profundas alterações de  sua personalidade comum ou costumeira, no temperamento, no caráter, na cultura, na educação, na voz, nos hábitos, etc.; alternando as diferentes personalidades às vezes durante meses e anos, como se tem de há muito tempo verificado. Citam-se mesmo casos de tripla e quadrupla personalidade, alternando-se sucessivamente meses e anos, no mesmo indivíduo. 

Aqui não se trata de desdobramento que, como vimos, é a base comum dos fenômenos anteriormente citados. Na dupla personalidade, se ficar provado que não se trata de incorporações de entidades estranhas, (caso em que o fenômeno não teria originalidade pois já o estudamos no capítulo das incorporações) e se for demonstrado que tudo se passa no campo íntimo do médium, a explicação do fenômeno, segundo pensamos, pode ser a seguinte: 

Por motivos diversos, internos ou externos, que não é necessário enumerar, dilata-se para o médium o campo da mente menor (a usualmente utilizada) e o indivíduo passa a viver, temporariamente, com uma consciência diferente, que corresponde a um setor diferente da mente maior no qual, pelos motivos diversos a que nos referimos, temporariamente se integrou. 

E como esse diferente setor consciencional corresponde a fatos relacionados a uma outra encarnação, o indivíduo, dessa encarnação, manifesta uma personalidade diferente da pertencente ao mesmo indivíduo na presente encarnação, porque, como já dissemos, a personalidade é variável enquanto que a individualidade é indivisível. 

André Luiz cita um caso que pode ser considerado de puro animismo: o de uma mulher que, a aproximação de um desafeto desencarnado que a persegue, deixa-se dominar por reflexos da vida anterior, quando foi apunhalada por ele, revive em si mesmo os antigos sofrimentos e representa a personalidade do passado. 

É um caso interessante na forma curiosa a confundir-se com a dupla personalidade, vão por re-ingressão na mente maior,  mas por reativações momentâneas das reminiscências guardadas no sub consciente e que perduram mesmo através o desencarne e o renascimento. 

Ela supõe encarnar uma personalidade diferente mas na realidade somente exterioriza o mundo de si mesma. Um caso forte de animismo, pois. 

E assim como o médium pode manifestar personalidade dupla vivendo em dois setores da mente maior, pela mesma razão e pelas mesmas leis poderá aparentar personalidade tripla ou quádrupla, se bem que, isto agora, só se possa dar em circunstâncias mais raras o mais difíceis. 

Mas, em todos os casos, como a mente total é uma só, (conquanto possa entrar em atividade parcelada), e igualmente como sucede nas exteriorizações, nunca se dá divisão do Eu, que é sempre uno, indivisível, integral.
Livro: MEDIUNIDADE
Autor: EDGARD ARMOND

paz a todos...

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