7.9.16

Suicídio na Visão Espírita


“O suicídio é o maior dos crimes porque é o desprezo do divino remédio nas dores passageiras da vida”. Camilo Castelo Branco.
Define-se suicídio como a ação pela qual alguém põe intencionalmente fim à própria vida. É um ato exclusivamente humano. Do ponto de vista da Doutrina Espírita, o suicídio é considerado um crime, e pode ser entendido não somente no ato voluntário que produz a morte , mas em todo tipo de ação conscientemente para apressar a extinção das forças vitais, o chamado Suicídio consciente. É uma transgressão da Lei Divina que é a Lei de Conservação. É sempre uma falta de resignação e de submissão à vontade de Deus.

Portanto, é também falta de confiança em Deus e de fé na vida futura. Todo suicídio produz traumatismo perispiritual e mental. Ficando o perispírito ainda impregnado das forças vitais que deveriam ter sido utilizadas na manutenção do corpo, o suicida sofre as conseqüências por ter rompido os laços que o prendiam ao corpo material sem a correspondência dos fluidos e forças vitais.

Esse período é de intenso sofrimento, deixando o suicida num estado vibracional muito conturbado, o que naturalmente o mantém nas zonas inferiores. De acordo com “O Livro dos Espíritos”, aquele que comete o suicídio como vítima das paixões morais (álcool, drogas, sexo, vida desregrada) é duplamente culpado do que outro que é acometido de alguma loucura, porque tem a consciência e muito será pedido a quem muito foi dado. É importante lembrarmos que o sofrimento do suicida não está ligado a uma punição divina, como muitas pessoas pensam, seu sofrimento é conseqüência da violação à lei de conservação e toda sua dor vem dos seu impensado ato. Sendo efeito natural de uma desarmonização com as leis da vida e da morte, a lei da criação. Portanto, não é castigo, é efeito de uma causa.

Em O Livro dos Espíritos, nas perguntas 943 a 957, Allan Kardec discute o tema apontando as causas e as conseqüências deste ato sinistro. Diz-nos que o desgosto vida é efeito da ociosidade, da falta de fé. Os Espíritos nos advertem que quando cometemos o suicídio responderemos como um criminoso. Acrescenta ainda que “aquele que tira a própria vida para fugir à vergonha de uma ação má, prova que tem mais em conta a estima dos homens que a de Deus, porque vai entrar na vida espiritual carregado de suas mazelas, tendo-se privado dos meios de repará-las durante a vida. Deus é muitas vezes menos inexorável que os homens: perdoa o arrependimento sincero e leva em conta o nosso esforço de reparação;”, mas o suicídio nada repara”.

A Doutrina espírita que é consoladora por excelência é também esclarecedora, na medida em que afirma:

1. A vida não acaba com a morte.

A morte não significa o fim da vida, mas somente uma passagem para uma outra vida: a espiritual. 
2. Os problemas não acabam com a morte.

Eles são provas ou expiações, que nos possibilitam a evolução espiritual, quando os enfrentamos com coragem e serenidade. Quem acredita estar escapando dos problemas pela porta do suicídio está somente adiando a situação. 
3. O sofrimento não acaba com a morte.

O suicídio só faz aumentar o sofrimento. Os suicidas que puderam se comunicar conosco descrevem as dores terríveis que tiveram de sofrer, ao adentrar o Mundo Espiritual, devido ao rompimento abrupto dos liames entre o Espírito e o corpo. Para alguns suicidas o desligamento é tão difícil, que eles chegam a sentir seu corpo se decompondo. Além disso, há o remorso por ter transgredido gravemente a lei de Deus 
4. A morte não apaga nossas falhas.

A responsabilidade pelas faltas cometidas é inevitável e intransferível. Elas permanecem em nossa consciência até que a reparemos.

5. A Doutrina Espírita propicia esperança e consolação quando oferece a certeza da continuidade infinita da vida, que é tanto mais feliz quanto melhor suportamos as provas do presente.

No Cap. V, de “O Evangelho segundo o Espiritismo” – “Bem-aventurados os aflitos”, itens de 14 a 17, somos esclarecidos de que a confiança no futuro e a resignação , elimina a possibilidade de se cometer o suicídio, a causa é o descontentamento com algum fato da vida e uma enganosa fuga ao sofrimento. Normalmente acontece quando o homem tem uma visão muito estreita e imediatista da vida.

O início dos nossos problemas está no desconhecimento das leis divinas que regem o Universo. A falta de crença em Deus e a idéia de que tudo acaba com a morte, tornam o ser humano desesperançado, inseguro e angustiado. Quando surge um problema difícil, mais grave, que lhe desafia a capacidade de solução; quando se sente acuado pelas circunstâncias, e a situação fogem ao seu controle parte para a solução que lhe parece mais fácil, e acredita que vai acabar de vez com todos os seus problemas: o suicídio. Na verdade, bastaria compreender a lição sublime do Amor fazendo aos outros o que gostaríamos que os outros nos fizessem, para que nos sentíssemos menos infelizes e rejeitados.

Não há morte. A vida continua sempre porque somos espíritos indestrutíveis, imortais, eternos e porque somos partículas emanadas do Nosso Criador, Deus, . O suicida encontra, na Espiritualidade, situações desesperadoras, mais intensas e dolorosas que as que conheceu aqui na Terra. O corpo morre, desaparece; o espírito, porém continuará vivo, respondendo pelas suas ações, em cumprimento à lei divina, que é eterna, e imutável.

A existência é um dom muito precioso, porque nosso corpo é uma concessão divina, para que aprendamos a crescer para a luz e a viver para o amor Afinal, o mundo em que vivemos não tem um Ser Superior que tudo vê, tudo pode e tudo sabe. Não pensemos que Ele desconhece os nossos corações. Somos todos filhos de Deus, que é Pai Amoroso, e que nos dedica o mais profundo amor. Não estamos sozinhos ou desamparados, somos espíritos eternos, cuja meta é a evolução através da reencarnação, progredimos e ganhamos novas experiências e conhecimentos. Nessas vivências cometemos bons atos, desenvolvendo afetos, e atos negativos, prejudicando o próximo e a nós mesmos.Pratiquemos o bem em todas as oportunidades, sabendo que Jesus, o Amigo Divino, está conosco, silencioso e compassivo fortalecendo-nos nas horas difíceis, amparando-nos nos momentos de dor e sustentando-nos na caminhada rumo à evolução, sem nunca nos abandonar

Associação Espírita Kardecista Casa do Caminho, Escola de moral Cristã
Fontes :Evangelho segundo Espiritismo, Livro dos Espíritos, Vida em Família/Joana de Ângelis

Pz e Luz

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