30.11.16

Desenvolvimento Mediúnico :Direção dos Trabalhos


O diretor dos trabalhos tem, a seu turno, de agir com discernimento e prudência, conforme a natureza da sessão que preside.

Em geral, para a formação de um bom ambiente, e após, é claro, os entendimentos preliminares com os operadores invisíveis, (o que deve ser feito em ocasiões apropriadas) deve exigir dos presentes a mais perfeita concentração, expungindo de todas as mentes pensamentos e preocupações ligados à vida material.

A sessão é um oásis de repouso para o viandante cansado de seus labores; ali se dessedenta, se recupera e se estimula para novos esforços; mas para que o repouso seja realmente confortador é necessário que o viajante, ao penetrar no recinto, procure se esquecer de suas inquietações e de seus temores e se entregue completamente ao aconchego e à proteção que ele oferece.

A assistência deve ser afastada das mesas de trabalho e em torno destas deve existir uma cadeia fluídica de segurança, formada de elementos capazes de manter uma concentração perfeita e isso para que os médiuns fiquem isolados e a coberto de influências exteriores.

Preleções constantes sobre mediunidade são necessárias, focalizando-se seus diferentes aspectos e a conduta que os médiuns devem manter durante os trabalhos.

Nos casos de incorporação explicar as diferenças que apresentam os três aspectos ‘da faculdade, particularizando seus detalhes. Esclarecer que no caso “consciente” ‘o animismo é circunstância natural e às vezes mesmo favorável, porque se o médium possui cabedal próprio de conhecimentos, maior riqueza de vocabulário e maior facilidade de expressão, tanto melhor transmitirá as idéias que receber do Espírito comunicante. O médium, pois, que tenha confiança em si mesmo certo de que, dentro da corrente e na hora da comunicação, o que vier não será dele mas sim do Espírito comunicante; que não analise o que recebe para transmitir; que fique em estado receptivo e dê ampla vasão às idéias ou pensamentos que receber. (34)
(34) Mais tarde, quando já desenvolvido e entregue aos trabalhos, novos detalhes serão fornecidos a este respeito para o aprimoramento da faculdade. 
No jogo das idéias próprias e daquelas que vêm do Espírito comunicante, deve o médium, desde início, estar vigilante para distinguir uma coisa de outra, estabelecer limites se bem que só o tempo e o tirocínio mediúnico fornecerão elementos seguros dessa distinção.

Ensine-se ao médium, todavia, que do seu sub-consciente pode usar livremente os elementos próprios, no que respeita a palavras, locuções, etc., necessárias à interpretação e transmissão das idéias recebidas telepaticamente, só devendo ressalvar em si mesmo, justamente as idéias, porque estas pertencem ao Espírito comunicante.

Ensine-se-lhe também que quando as idéias fluem livremente, desembaraçadamente, isto é sinal que não pertencem a ele, médium; são transmissões telepáticas e que, toda vez que ele, médium, interfere produz-se  uma síncope, uma pausa, uma interrupção na transmissão, que passa então a desenvolver-se com dificuldade, sem fluidez, forçadamente.

Recomende-se-lhe outrossim que antes de se deixar influenciar se dê a si mesmo sugestões no sentido de não bater nas mesas, não bater os pés e as mãos, não gritar, não gemer, não fazer gestos impulsivos ou violentos, não tomar atitudes espetaculares; enfim exija-se que se conserve calmo, silencioso, confiante, discreto.

Os médiuns devem ser separados em mesas ou grupos diferentes segundo o estado que atingiram no desenvolvimento, devendo ir transitando de uma mesa ou grupo para outro à medida que progridem.

O diretor do trabalho não deve permitir manifestações extemporâneas nem tampouco intervenção de médiuns porventura postados fora da corrente.

É necessário que os médiuns, como já dissemos, saibam distinguir fluidos, uns de outros pois, segundo sua vibração e qualidade, são diferentes. Um mau fluido tem vibração mais pesada, mais lenta e produz efeito desagradável, irritante, ao passo que o bom fluido é suave, repousante, confortador.

Este conhecimento serve, além de outras coisas, para em qualquer caso ou circunstância, distinguir uma entidade manifestante de outra, identificá-la, afastando-a muitas vezes antes que ela possa causar qualquer perturbação.

E ter também em conta que determinada qualidade de fluido afeta determinada região ou órgão do corpo físico, reflexivamente, sendo este também um outro meio de defesa própria, de diferenciação e de identificação de Espíritos.

Outra coisa a recomendar aos médiuns em desenvolvimento é que não se deixem influenciar fora das horas de trabalho mediúnico e sem a devida proteção ambiente, bem como afastar por meio de preces ou ordens mentais positivas e enérgicas, entidades perturbadoras e indesejáveis. 

Ao médium inconsciente deve-se também ensinar que, antes de entregar-se ao transe, não lhe merecendo plena confiança o meio em que se achar, deve ligar-se mentalmente ao protetor individual para que, no caso de ocorrer qualquer imprevisto ou tornarem os trabalhos um rumo inconveniente, possa imediatamente libertar-se do transe. Somente desta forma poderá ele, nestes casos, exteriorizar-se com tranqüilidade e confiança. 

Enfim, nos trabalhos de desenvolvimento, não basta fazer os médiuns sentarem-se à mesa, concentrarem-se e se entregarem cegamente às influências invisíveis; é necessário assegurar-lhes proteção, conselho, orientação adequada e isso só poderá ser feito quando o diretor do trabalho tem conhecimentos suficientes e a autoridade moral necessária.

Livro Mediunidade
Autor Edgard Armond

Paz e Luz!

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