23.5.11

MEDIUNIDADE DE PROVA: SEUS ASPECTOS



Já sabemos que a mediunidade é problema complexo no que se refere às suas manifestações e natureza podendo, por isso, ser encarada sob vários pontos de vista. Quanto à sua razão de ser, todavia, afeta somente dois aspectos que são fundamentais e originalmente opostos, a saber: ou é faculdade própria do
espírito, conquista sua, quando já adquiriu possibilidades maiores, quando atingiu graus mais elevados na escala evolutiva, ou é capacidade transitória, de emergência, obtida por graça, com auxílio da qual o Espírito pode apressar sua marcha e redimir-se.

No primeiro caso, o Espírito, já convenientemente evoluído, é senhor de uma sensibilidade apurada que lhe permite vibrar normalmente em planos superiores, sendo a faculdade puramente espiritual.

No segundo caso foi fornecida ao médium uma condição psicosomática especial, não hereditária, que lhe permite servir de instrumento aos Espíritos desencarnados para suas manifestações, bem como demonstrar outras modalidades da vida espiritual. Conquanto os efeitos sejam, nos dois casos, mais ou menos semelhantes,diferentes são todavia as causas e os valores qualitativos das faculdades.Como a maioria dos médiuns pertence a esta segunda categoria, vamos em seguida nos deter mais demoradamente em seu estudo.

Em sua trajetória evolutiva o Espírito, como dissemos, se purifica, se aperfeiçoa, aumenta sua sensibilidade e adquire cada vez maiores, mais altas e mais amplas faculdades psíquicas.
Essa é a lei natural.

Porém estamos cansados de ver indivíduos moralmente retardados, de sentimentos imperfeitos, que possuem faculdades mediúnicas das mais diversas naturezas.

Se a posse de faculdades decorre de elevação espiritual, como podem tais indivíduos possuí-las enquanto outros, evidentemente mais adiantados, não as possuem? Que sucede nestes casos? Alterações dessa lei geral? Anomalias? Previlégios?

Nada disso. Somente á ocorrência de uma forma de mediunidade — que chamarei, como já disse, “DE PROVA” — isto é, posse de faculdades não prôpriamente conquistadas pelo possuidor, fruto de sua superioridade espiritual, mas dádiva de Deus, outorga feita a uns e outros em certas circunstâncias e ocasiões para que, no seu gôzo e uso, tenham oportunidade de resgatar dívidas, sair de um ponto morto, de um período de estagnação, de um letargo ruinoso, despertando assim para um novo esfôrço redentor.

Recebendo essa prova da misericórdia de Deus, concedida quase sempre pela intercessão de Espíritos amigos interessados no seu progresso ou a pedido próprio.

A reencarnação, para a maioria dos Espíritos inferiores, é padronizada e compulsória, porém para médiuns e Espíritos mais esclarecidos cada caso é estudado e providenciado individualmente, com assistência do interessado.

de duas uma; ou o beneficiado cumpre eficientemente a tarefa retificadora e, neste caso, sobe um degrau na trajetória espiritual, ou fracassa e então sofre as consequências naturais de sua obstinação ou fraqueza.

Em seu livro “Nos Domínios da Mediunidade” André Luiz também confirma integralmente o têrmo “mediunidade de prova proposto por nós desde 1945 quando diz à página 76:

“Ninguém pode avançar livremente para o amanhã sem solver os compromissos de ontem. Por êsses motivos Pedro traz consigo “aflitiva mediunidade de provação”.

E mais adeante: “Médiuns repontam em tôda parte, entretanto raros já se desvencilharam do passado sombrio para servir no presente à causa comum da humanidade, sem os enigmas do caminho que lhes é particular”.

Essas consequências são tôdas de ordem moral e representam sempre um retardamento na marcha ascencional do Espírito que deverá então tentar de novo e agora em condições mais desfavoráveis e custosas.

A posse dessas faculdades de prova é dada a muitos Espíritos em determinadas épocas, entre outras quando, por exemplo, os Guias do Mundo necessitam promover no seio da humanidade determinados efeitos, movimentos de compreensão mais enérgicos, impeli-la mais decisivamente para novos rumos ou chamar a atenção para determinados aspectos da vida espiritual, necessários à regularidade da marcha evolutiva.

Então legiões de Espíritos recebem essa possibilidade, essa chance e reencarnam na posse de faculdades que por si mesmos não conquistaram, faculdades de empréstimos, se podemos assim dizer, e que devem devolver na forma de bom trabalho realizado e de aproveitamento próprio.

Produz-se assim uma generalização, um derrame de dons mediúnicos que fortemente atuam sôbre os Espíritos endurecidos ou incrédulos, fomentando no meio social coletivo modificações irresistíveis do ponto de vista moral ou religioso.

E êsse acontecimento é plenamente justificável e apropriado porque as massas humanas, desviadas quase sempre das coisas divinas, somente por efeito do chamado sobrenatural se detêm, meditam e se reformam.
***

Basta aliás se olhar para a história da vida humana para compreender isso. Tôda vez que é preciso chocar a opinião, interessar os homens nas práticas religiosas, modificar-lhes os sentimentos e impulsioná-los para a espiritualidade, vive-se uma época de milagres. Assim foi, mesmo não recuando muito no tempo, quando se tornou necessário estabelecer na Terra uma religião tipicamente monoteista:
— O homem dos milagres foi Moisés.

Dezesseis séculos depois, quando novo impulso deverá ser dado e plantados mais fundamente os alicerces da verdade eterna, nova época surgiu com o próprio Mestre e seus discípulos. E agora quase vinte séculos depois, para oferecer aos homens maiores detalhes e conhecimentos mais objetivos da vida espiritual superior, repetem-se os mesmos fatos com o Espiritismo, e os “milagres” se desdobram surpreendentemente, com tendência ainda a se tornarem mais generalizados.E aqui convém relembrar que todos os chamados milagres são fenômenos provocados através de dons mediúnicos.

Por isso, já que são poucos os homens que possuem faculdades próprias, os Guias do Mundo lançam mão dos médiuns de prova, isto é, de faculdades de empréstimo, para promoverem os fenômenos desejados e obterem os resultados necessários; e, no momento que vivemos, o que se visa obter, como sabemos é preparar o maior número possível de Espíritos encarnados para o advento de um mundo renovado que está bem próximo.

Feito o apêlo nas esferas da erraticidade e exposta a situação muitos, de sua própria vontade e outros, como já dissemos, por intercessão de amigos espirituais, obtêm a mercê de cooperação nesse trabalho sagrado e legiões, então, baixam ao planeta dispostas ao esfôrço redentor; e por isso consta que as manifestações, hoje, como nos dias da Codificação, são mais ou menos uniformes e sistemáticas, obedecendo a um plano determinado. 



Livro: Mediunidade
autor: Edgard Armond

abçs,soninha

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