9.8.16

Desenvolvimento Mediúnico: Passividade Mediúnica


Sabemos que há médiuns extremamente passivos e faculdades que, por si mesmas, obrigam a essa passividade como, por exemplo, a incorporação inconsciente e os efeitos físicos. 

Estes são os casos em que os médiuns realmente representam. para as forças e entidades do plano invisível, um “aparelho”, um “instrumento” como se costuma dizer, porque então, estão elas inteiramente à disposição dessas entidades e em quase nada intervêm, na ocorrência dos fenômenos. 

O mesmo porém não se dá com as faculdades de lucidez, que permitem aos médiuns conservar sua consciência, liberdade de ação e personalidade, como também agir segundo a própria vontade, até mesmo deixando de ser “intermediários”, abstendo-se ou recusando-se a transmitir o que vêem ou ouvem, caso o desejem. 

A passividade funcional, todavia, mesmo nos primeiros casos citados, somente deve ocorrer no período da ação mediúnica voluntária, fora da qual os médiuns devem conservar e utilizar seus atributos psíquicos normais, livres de qualquer influência exterior. 

Natural, pois, e mesmo necessário, que haja passividade no ato funcional mediúnico e atividade e consciência plenas fora desse ato, não só para o selecionamento do ambiente do trabalho, como para a escolha de colaboradores, de processos, tudo visando a perfeita realização da tarefa individual. 

A passividade cega entrega os médiuns à influência de forças e entidades de todas as classes e esferas, indiscriminadamente e isso é altamente nocivo: não só representa um abastardamento do fruto do seu trabalho como traz a possibilidade do desvirtuamento de suas faculdades, que podem ser desviadas para o mal, quando utilizadas por Espíritos ignorantes, inconscientes ou maldosos. 

Sem espiritualização a mediunidade não evolui. 

Pode haver esforço e trabalho mediúnico, porém, diz André Luiz, “sem acrisolada individualidade não existirá aperfeiçoamento mediúnico.” 

E quanto aos médiuns de lucidez, se agirem com passividade cega e desconhecerem certos problemas da vida mediúnica, pode ocorrer que penetrem no campo hiperfísico inconscientes do que se passa ao seu redor e por isso não possam compreender ou classificar o que vêem ou ouvem, as entidades que lhes falam e o mais que suceder durante a ação mediúnica, expondo-se a perturbações diversas, mormente as do campo mental. 

Além disso, como médiuns, intermediários, agentes de ligação entre os dois mundos, que confiança podem merecer se eles próprios ignoram, não só a natureza como o significado do que vêem ou ouvem? 

Mas como, mesmo assim, quando estes casos ocorrem, fazem a transmissão — e não são poucos os médiuns passivos e ignorantes  calcule-se daí a extensão das informações, transmissões errôneas, absurdas e ilusórias que espalham pelo mundo! Nestes casos só haveria um meio de joeirar os erros transmitidos: possuírem os dirigentes de trabalhos, ou pessoas interessadas na transmissão, conhecimentos gerais e adequados dos aspectos e problemas da vida espiritual, eliminando uns e aceitando outros. 

Isso, porém, como sabemos, muito raramente acontece e, a rigor, tudo quanto o médium diz ou transmite é aceito também cegamente, ou de boa-fé, pelos interessados.

Por aí se vê que esses primeiros trabalhos do desenvolvimento são delicados e difíceis de ser regulados convenientemente porém deles depende em grande parte a futura estruturação da mediunidade em curso. 

Não basta pois sentar a uma mesa e concentrar-se: é preciso estudo, boa vontade, critério, inteligência e recíproco espírito de cooperação entre médiuns e instrutor. 

O médium, nestas circunstâncias, é como um aluno que precisa acomodar-se às regras, às ordens, à disciplina, ao regimento da classe em que está; confiar e obedecer criteriosamente aos instrutores. 

Por falta dessa educação inicial é que se vê comumente o nº de médiuns, arbitrariamente influenciados, manifestarem-se antes mesmo que as sessões sejam declaradas abertas, e também casos em que os próprios protetores individuais de médiuns são causadores de irregularidades semelhantes, o que demonstra que ignoram, tanto quanto os próprios médiuns e diretores de trabalhos, as verdadeiras regras espirituais que devem ser seguidas nos trabalhos práticos. 

Essas irregularidades prejudicam a todos os assistentes mas, sobretudo, aos médiuns em desenvolvimento já que estes, ao seu próprio e natural desgoverno, adicionam ainda o que lhes vem de práticas tão mal conduzidas. 

Este é um simples exemplo isolado, porém há muitos outros que poderiam ser citados e que em nada recomendam a prática espírita em comunidades onde predomína a ignorância e a falta de compreensão da formação.

Impedindo, pois, que se deixem dominar de forma arbitrária e cega, estaremos desde logo concorrendo para formar médiuns seguros, equilibrados, inspiradores de confiança. 

qual o processo para se conseguir isso, em sentido geral? 

Entre outras coisas, é necessário o seguinte: 

a) a direção dos trabalhos deve estar com pessoa competente, que conheça o problema detalhadamente; 

b) deve existir perfeito entrosamento de ação nos dois planos, mediante ajuste prévio com os operadores invisíveis; 

c) não se permitir que Espíritos desencarnados irresponsáveis, ou estranhos ao trabalho, se aproximem dos médiuns e exigir que os destacados para isso, só o façam no momento oportuno; 

d) criar, para o trabalho, um ambiente espiritualizado, de objetivos elevados, excluídos o exibicionismo, a superstição, o personalismo, o interesse pessoal; 

e) exigir que as manifestações se dêem em ordem, uma de cada vez, para evitar confusões e tumulto: 

f) desmascarar pacificamente todas as mistificações, tanto de médiuns como de Espíritos, e pôr em evidência todas as manifestações e ocorrências que possam servir de ensinamento e de edificação moral: 

g) ter como finalidade o espiritismo evangélico que é o único que assegura uma assistência espiritual elevada. Mas, se apesar dos cuidados postos em prática, do método seguido, da ordem e disciplina mantidos por todos, da firmeza das concentrações, da pureza das intenções, os trabalhos degenerarem em violência, desordem, confusão, é então de supor que a assistência espiritual não é ainda favorável; não foi ainda atingido um clima que inspire segurança, e tornam-se nestes casos precisos novos entendimentos com os guias, novos esforços, novas tentativas, porque é essencial a boa assistência, e o bom ambiente nos dois planos. 

O fato de terem sido designados determinados Espíritos para realizarem ou dirigirem trabalhos na Crosta, junto aos encarnados, não significa que sejam eles Espíritos de hierarquia elevada; recebem determinada missão e se, em alguns casos possíveis, não a cumprem com a devida competência ou dedicação, ou se a desvirtuam estarão, como nós outros, sujeitos à mesma responsabilidade. 

Muitos Espíritos pedem tais tarefas, ou porque desejam permanecer junto de encarnados para os quais sentem afinidade, prendem-se por laços efetivos, ou por simples desejo de cooperação na obra comum de esclarecimento das almas; mas assim também com& acontece conosco aqui na Terra, podem fracassar ou desmerecer por várias circunstâncias. 

Em todos os casos, ocorrendo tais coisas é necessário apelar para as Entidades superiores, a fim de que as falhas sejam sanadas e os trabalhos prossigam com nova orientação. 

E, reversamente, quando tudo vai bem, quando há dedicação, desinteresse e amor ao trabalho, de parte a parte, os resultados vão sendo cada vez mais compensadores e aos primitivos trabalhadores novos elementos se associam, sempre de valor mais elevados ganhando então os trabalhos cada vez maior força e expressão. 

São, pois, indispensáveis bons elementos individuais nos dois planos e somente assim as forças superiores podem descer sobre eles, assegurando o referido progresso; caso contrário estabelece-se um ambiente refratário a essas forças e, além disso, surgem vibrações negativas, de baixa qualidade, que a todos prejudicam e abrem as portas a forças e entidades de planos inferiores, sempre prontas a intervir, desde que se lhes forneça oportunidade. 

Chegando a este ponto a sessão se transformará num foco de desordem psíquica, de venenos fluídicos, que atacarão sem piedade médiuns e assistentes, trazendo-lhes perturbações às vezes muito serias. 

Em resumo, as boas práticas e os bons ambientes constroem e os opostos destroem as possibilidades de um desenvolvimento natural, harmonioso e eficiente, de faculdades mediúnicas.

Outra recomendação a fazer aos médiuns em desenvolvimento, é falarem com desembaraço e confiança, desde o princípio. Os de incorporação consciente e semi-consciente, sobretudo. são os que mais recalcam em si mesmos essas possibilidades porque estão sempre mais ou menos despertos e usam palavras próprias para traduzir as idéias telepáticamente recebidas dos Espiritos comunicantes; e isso lhes cria uma situação de verdadeiro constrangimento. 

É grande o número de médiuns que fracassam só por causa disto ou no mínimo estacionam a ponto de estagnar completamente suas faculdades mediúnicas. Mas se compreenderem bem a natureza dessas faculdades e as limitações que lhes são próprias, conforme explicamos no capítulo 9 deste livro, sua confiança renascerá e se tornarão intérpretes fiéis e eficientes. 

Há todavia outras causas que produzem recalques e prejudicam o desenvolvimento. 

Médiuns há que por possuirem pouca cultura e terem de transmitir com suas próprias palavras e recursos mentais as idéias recebidas dos Espíritos, se atemorizam da critica alheia. 

Outros que se julgam diminuir transmitindo idéias muitas vezes banais e futeis, de Espíritos atrasados. 

Ou que se consideram humilhados por fazerem nas sessões as mesmas coisas, tomarem as mesmas atitudes de indivíduos de condição social inferior à sua. 

Outros que se constrangem por se sujeitarem a Espíritos atrasados e por terem de dizer coisas que em plena consciência não diriam e que muitas vezes são contrárias às suas próprias idéias e pensamentos. 

Muitos, também, que se escrupulizam ou envergonham de exercer suas faculdades na presença de pessoas amigas, ou da própria família, perante as quais, na vida comum, mantêm determinadas .condições de superioridade, que seriam prejudicadas com qualquer intimidade ou promiscuidade. 

Há também inúmeros casos de constrangimento provenientes de serem médiuns indivíduos professantes de religiões dogmáticas e obsoletas. ignorantes das coisas do espírito, se atemorizam com a posse de faculdades psíquicas, que consideram tentações maléficas, obra demoníaca; assim, lutam para reprimi-las e muitas vezes caem vitimados pela própria ignorância ou recalcitrância. 

Verdadeiros dramas ocorrem no seio de famílias católicas e protestantes, ou de materialistas. cujos responsáveis muitas vezes preferem sacrificar os entes queridos a admitirem neles a existência de faculdades espirituais. A todos estes irmãos, detentores de faculdades mediúnicas recalcadas, devemos dizer que necessitam antes de mais nada, de humildade. O médium orgulhoso já está de inicio fracassado na tarefa que aceitou, porque coloca acima dela os pre-conceitos mundanos, que nada valem à face das coisas de Deus eternas e soberanas. Subestimam justamente aquilo que lhes pode servir de auxílio para se elevarem na escala evolutiva. 

Mas todos terão oportunidade de se vencerem a si mesmos, porque se pedirem forças e auxílio do Alto, é certo que os receberão imediatamente. 

Está pois em suas próprias mãos o triunfo ou a derrota, isto é: uma subida ou uma queda espiritual quando, após seu desencarne, tiverem de prestar suas contas às Entidades Superiores do Espaço.


Livro Mediunidade
Autor Edgard Armond

Paz e Luz

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