29.6.12

A EDUCAÇÃO DOS MÉDIUNS

Passada, assim, esta ligeira revista nos diferentes aspectos que apresentam as faculdades mediúnicas em geral, convém dizer alguma coisa sobre os médiuns, em si mesmos, suas vidas atormentadas, as injustiças de que são vitimas e a tarefa trabalhosa que lhes é imposta nos dias que correm, para a divulgação do conhecimento espiritual.

Se é certo que todos temos possibilidades mediúnicas, também o é que nem todos possuem faculdades suficientemente desenvolvidas para atuarem, dominantemente, no ambiente em que vivem, pois somente em determinada fase do desenvolvimento tal coisa é possível.

Até chegar a esse ponto são, pois, os médiuns, vítimas de inúmeras perturbações, mais que quaisquer outros.

Quando, afinal, atingem um certo grau de eficiência própria, com eclosão e o domínio das faculdades, seus organismos ficam sujeitos a um funcionamento psíquico complexo e delicado, que exige constantes cuidados. E, por outro lado, justamente porque entram em campo de trabalho coletivo, pelo exercício diário das faculdades, passam a sofrer tentações de tôda espécie.

Em geral é muito descuidada a educação dos médiuns e ainda não se chegou no Espiritismo a um conhecimento seguro e esclarecido a respeito deste assunto.

De início não basta que se mandem os médiuns assistir sessões ou ler livros de doutrina, porque muitas vezes nessas sessões não encontram eles orientadores competentes, nem o ambiente saturado de pureza fluídica de que necessitam e, quanto à leitura, nem sempre ela lhes fornecerá os esclarecimentos indispensáveis, de forma objetiva, que sirva de norma prática de conduta pessoal.

Muito raramente os médiuns podem ser autodidatas; invariavelmente precisam de orientação e orientadores competentes; como quaisquer outros são discípulos que precisam de mestres. Em geral ao se entregarem ao desenvolvimento, ao invés de obterem alívio para suas perturbações, de ocorrência infalível, consolo para suas mágoas, esclarecimento para suas dúvidas, fôrça para sua luta obscura, segurança para suas vidas, encontram muitas vezes o personalismo de uns, a ignorância de outros, e um conhecimento empírico ou falso, que ainda lhes envenena a alma com superstições grosseiras.

Quando precisariam ambientes claros e elevados, encontram muitas vezes atmosferas pesadas, hostis, de Espíritos inferiores que vêem ainda acrescentar influências perniciosas àquelas de que já eram vítimas e contra as quais, justamente, iam buscar auxílio.

É preciso, portanto, que somente frequentem sessões onde encontrem ambientes verdadeiramente espiritualizados, onde imperem as fôrças boas e onde as más, quando se apresentarem, possam ser dominadas.

E sessões desta natureza só podem existir onde haja, da parte de seus dirigentes, um objetivo elevado a atingir, fora do personalismo e da influência de interesses materiais, onde os dirigentes estejam integrados na realização de um programa elaborado ‘e executado em conjunto com entidades espirituais de hierarquia elevada.

Sem espiritualidade não se consegue isso; sem Evangelho não se consegue espiritualidade e sem o propósito firme e perseverante de reforma moral não se realiza o Evangelho.

O médium, antes que qualquer outro, deve se bater pela conquista de sua espiritualização, combatendo as paixões animais e organizando um programa de vida moral que o afaste dos vícios e o aproxime da perfeição.

Referindo-se ao hábito errôneo de médiuns de efeitos físicos se julgarem privilegiados e de receberem de forma altamente mística o espírito materializado, reverenciando-o como se se tratasse de um fenômeno sobrenatural e sagrado, diz André Luiz: “o próprio verbo referente ao assunto em sentido literal, não encoraja qualquer interpretação em desacordo com a verdade. 

Materializar significa corporificar. Ora, considerando-se que mediunidade não traduz sublimação e sim meio de serviço e reconhecendo, ainda, que a morte não purifica, de imediato, aquele que se encontra impuro, como atribuir santidade a médiuns da Terra ou a comunicantes do além pelo simples fato de modelarem formas passageiras entre dois planos?“

A força materializante, prossegue o Autor, é como as outras manipuladas em nossas tarefas de intercâmbio: independem do caráter e das qualidades morais daqueles que as possuem, constituindo emanações do mundo psicofísico, dos quais o citoplasma (28).

(28)  Protoplasma das células.é uma das fontes de origem”. 

Somente assim, quando mantiver seu corpo limpo e seu coração purificado, quando fôr capaz de pensamentos e atos retos e dignos, poderá então considerar-se apto a receber e transmitir a palavra dos verdadeiros mensageiros divinos.

O Espiritismo, como doutrina, é inatacável, porque tem seus fundamentos no Evangelho do Cristo, mas apresenta falhas na sua prática já que esta, como é natural, é realizada pelos homens; mas é educando e formando os médiuns para o trabalho evangélico que conseguiremos modificar esta situação. O campo evangélico é o único perfeito e o mais elevado e quando chega a poder utilizar suas faculdades neste campo é que o médium está, verdadeiramente, em condições de executar sua tarefa no mundo.
Livro: Mediunidade
Autor: Edgard Armond

Paz a todos...

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