17.11.14

Adaptação Psíquica: Os Passes


Os passes individuais são muito aplicados nas práticas espíritas por uns e outros mas, segundo julgamos, não são indispensáveis, nem condição essencial de cura psíquica ou desenvolvimento mediúnico. Todavia são um agente poderoso; auxiliam as curas, reconfortam e atenuam grande número de sofrimentos. 

Muitos já devem ter notado que os passes são dados de forma arbitrária, variando de indivíduo para indivíduo, com gestos e processos de cunho eminentemente pessoal. Tanto encarnados como desencarnados cada um dá passe conforme entende, não havendo para sua aplicação leis rígidas ou 
processos uniformes. 

Isso realmente não importa porque o passe, em si mesmo, nada mais é que uma transmissão de energia fluídica e, desde que essa transmissão se realize, o modo de operar se torna secundário. 

Disso decorre que toda exterioridade, toda encenação de que se revestir a aplicação deve ser banida como inútil. Uma simples imposição de mãos muitas vezes basta para se obter o efeito desejado, porque esse efeito não reside no gesto, na mecânica da aplicação, mas no desejo sincero que tem o operador de aliviar o sofrimento do doente. 

Uma prece, portanto, vale mais que um passe, mesmo porque: “toda boa dádiva e dom perfeito vêm do Alto”. Havendo, pois, confiança e fé e o desejo evangélico de exercer a caridade, tudo é possível. 

Mesa usada pelo dr Bezerra de Menezes,que se encontra na câmara do passe na 
Fundação Espírita Bezerra de Menezes.

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Apesar de não serem, como dissemos, indispensáveis os passes, todavia, auxiliam as curas e, na sua aplicação, três coisas podem ocorrer: 

a) o operador, de si mesmo, transmite ao doente suas próprias energias fluídicas, operando assim um simples trabalho de magnetização; 

b) com a presença de um médium, servindo de polarizador, um Espírito desencarnado faz sobre o doente a aplicação, canalizando para ele os fluidos reparadores; 

c) o Espírito desencarnado incorpora-se no médium e faz sobra o doente, diretamente, a necessária transmissão. 

Nas práticas espíritas as modalidades de uso mais corrente são as duas últimas. Ninguém deve se submeter a passes feitos por pessoa inidônea,Isto é, moralmente incapaz ou fisicamente incompatível, casos em que os passes terão efeito contraproducente, porque as transmissões comparticipam quase sempre das qualidades e condições materiais do operador e sofrem, ao mesmo tempo, as influências morais de seu espírito. 

Disso resulta que nem todos os médiuns têm a mesma capacidade qualitativa para dar passes visto que uns são, mais que outros, influenciados por seus próprios fatores de inferioridade; e como todos sofrem dessa influenciação, pouco mais pouco menos, resulta que não há médium algum que transmita fluído isento de impureza. 

Por outro lado o conhecimento superficial, ou quase nulo que a maioria possui do corpo humano, do seu delicado funcionamento e do modo por que reage a correntes fluídicas de diferente natureza, tudo isso concorre para diminuir as possibilidades de êxito pessoal, na aplicação de passes materiais (magnéticos). 

Por isso é que em muitos casos os resultados são ora muito lentos, ora negativos e às vezes até mesmo prejudiciais ao doente. 

Só os Espíritos superiores, mais sábios e mais puros que os homens encarnados produzem ou transmitem fluidos perfeitos e, portanto, somente eles estão em condições de, realmente, curar moléstias (nos casos, bem entendido, em que a cura é permitida). 

Por isso também, qualitativamente, os passes feitos pelos próprios Espíritos, diretamente sobre os doentes, devem ser os preferidos vindo, em segundo lugar, aqueles que são feitos pelos Espíritos quando incorporados em médiuns inconscientes e, por último, os passes feitos pelos médiuns conscientes, ou por indivíduos não médiuns porém desejosos de servir ao próximo nesse campo tão dignificante da caridade espiritual. 

Em complemento a estas considerações, chamamos a atenção dos leitores para o capítulo das curas mediúnicas, constante do texto, à página 79. 


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Como porém o uso de passes é muito generalizado, acrescentemos aqui mais alguns conselhos esclarecedores. 

1º) O médium que se dispuser à aplicação de passes materiais (categoria “a”) deve se esforçar por aquirir e desenvolver “capacidade radiante” isto é, capacidade de captar e irradiar fluidos reparadores, desdobrando assim, em mais profunda e ampla esfera de ação, aquela que já possuir de, por si mesmo, como magnetizador, transmitir fluído animal. 

2º) Essa capacidade radiante se desenvolve quando o médium se dispõe a servir desinteressadamente e se esforça por elevar-se no campo da moralidade evangélica. 

3º) Saúde, sobriedade, vida tranquila, equilibrada e harmônica, são condições que deve manter preservando-se sempre, visto que paixões, tumultos, mágoas e inquietações, são coisas que impedem a fluição natural e espontânea das energias magnéticas e curativas, através os condutos nervosos. 

4º) Abstenção de álcool, fumo, entorpecentes e outros elementos tóxicos, como por exemplo resíduos alimentares não eliminados, que envenenam os fluidos em trânsito, criam maus odores no corpo e podem ser transmitidos aos doentes. (30) 

(30) Para maiores detalhes consulte-se “Trabalhos Práticos de Espiritismo”. Pode ser também consultado o livro “Passes e Radiações”, ambos do mesmo Autor, Edição LAKE — São Paulo.


CÂMARA DE PASSES 

Neste capítulo dos passes queremos noticiar a existência de um recurso de cura, de alta valia e fácil utilização. É aquilo a que denominamos — CÂMARA DE PASSES — um cômodo reservado, de alto e sempre purificado teor vibratório-fluídico, no qual se introduzem os doentes ou perturbados, aí os deixando permanecer algum tempo, isolados e em silêncio
Durante esse tempo os Espíritos do plano invisível, que aceitaram a incumbência, (em entendimento previamente feito), cuidam deles e os assistem convenientemente, sem interferência de quem quer que seja. 

A Câmara de Passes, pois, é uma instituição plenamente viável e preferencial porque a assistência pode ser dada a qualquer hora sem a menor preparação, isoladamente, sem testemunhas, em silêncio, e numa comunhão direta entre o doente e o operador invisível.
  
Somente duas condições são exigíveis para sua aplicação com bons resultados: um local onde a pureza ambiente seja positiva, e sua conservação permanente por meio de defesas espirituais realizadas nos dois planos. 


RADIAÇÕES 

As Radiações são um poderoso agente de tratamento, tanto material como espiritual e prestam grande auxílio ao desenvolvimento mediúnico, neste período preparatório de que estamos tratando, porque neste período se cuida justamente do equilibramento psíquico do médium, já que este, quase sempre, 
como sabemos, é portador de perturbações espirituais. 

As sessões de radiações podem ser feitas nos Centros Espíritas ou em casas particulares, bastando para isso que se reúnam duas ou mais pessoas e, se possível, um médium de incorporação, já desenvolvido, para os necessários entendimentos com os operadores invisíveis. 

As radiações são tão eficientes como qualquer tratamento em presença, não representando a distância, como é natural, impedimento algum. (31) 

(31) As sessões de radiações à distância, têm um grande desenvolvimento e aplicação na Federação Espírita do Estado, beneficiando a milhares de perturbados dos dois planos. São feitas com grupos reduzidos e selecionados de assistentes, dotados da necessária capacidade de concentração e doação de fluidos. Para maiores esclarecimentos, consultem as obras: “Passes e Radiações” e “Trabalhos 
Práticos de Espiritismo”, do mesmo autor, editadas pela LAKE.

André Luiz, em sua obra “Nos Domínios da Mediunidade” mostra o espelho fluídico no qual a imagem dos doentes ausentes ou pessoas ligadas aos pedidos feitos pelos presentes à sessão, surgem e são examinados pelos benfeitores presentes que em seguida dão as respostas às perguntas feitas. 

Os operadores invisíveis valem-se destas oportunidades para realizarem curas e nestes casos, tanto podem deslocar-se para junto do doente, onde este estiver, examinando-o aí, diretamente, como podem obter, em ligação com o protetor individual do doente, as informações de que careçam, combinando com este os procedimentos que mais convenham ao caso em apreço. 

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As perturbações apresentadas pelos médiuns tanto podem ser manchas ou placas fluídicas aderentes ao perispírito; vibrações negativas advindas de seus próprios sentimentos viciosos, como interferências de Espíritos obsessores que, nos casos de mediunidade, estão junto ao médium, exercendo determinadas tarefas, e que, por isso, nas doutrinações, nem sempre são propriamente afastados mas disciplinados na sua atuação. 

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Enfim, seja qual for o motivo da perturbação, o tratamento espiritual deve sempre preceder ao desenvolvimento mediúnico porque por ele é que se obterá o equilíbrio necessário que permitirá seguir adiante e atingir resultados satisfatórios; neste período preparatório o médium é simples e unicamente um doente necessitado de assistência e orientação.


Livro:Mediunidade
Autor:Edgard Armond

Paz a todos!

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