22.6.11

MEDIUNIDADE:Sensibilidade Individual



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Sensibilidade Individual

Já falamos da sensibilidade de um modo geral e agora vamos estudá-la mais particularizadamente e de um ponto de vista mais científico.

Existem o mundo físico e o mundo hiperfísico, e as diferenças entre as diversas manifestações de Matéria, Energia e Espírito, resultam de ordens variáveis de vibrações.

No universo tudo vibra e se transforma ora involuindo:Espírito para Energia — Energia para Matéria; ora evoluindo: Matéria para Energia — Energia para Espírito.

E nessa perene tansformação os mundos se entrelaçam harmoniosamente, formando um todo uno e indivisível.

Voltando ao físico e ao hiperfísico, quando as vibrações entre os dois mundos se equilibram, se sintonizam, ligações íntimas se estabelecem, em maior ou menor ressonância. E essa sintonia, quando se verifica entre habitantes dêsses mundos, permite, como é natural, intercâmbio entre essas entidades.

Pois, a faculdade de oferecer tal sintonização é que constitui o que chamamos mediunidade. E todos nós possuimos essa faculdade em maior ou menor grau, porque viemos da mesma origem, temos a mesma constituição e caminhamos para o mesmo fim.

Todos nós oferecemos essa possibilidade, que tanto mais ampla e perfeita se torna quanto mais alto subimos e disso se conclui, portanto, que a faculdade mediúnica é espiritual e não material.

É verdade que o que se julga é coisa diferente, sendo, para muitos, ponto assente que a mediunidade é fenômeno orgânico. Mas acreditamos que isso seja resultado de haverem encarado o problema somente do ponto de vista objetivo e não sob o transcendente.

André Luiz — que reputamos grande autoridade sôbre realidades da vida espiritual — afirma o seguinte: — “mediunidade não édisposição da carne transitória e sim expressão do espírito imortal”.

Admitindo-se, porém, que a sede dessas faculdades não está situada no corpo físico mas, sim, no corpo etéreo (9),

(9) Corpo etéreo — duplicado físico formado pelas emanações fluídicas dos citoplasmas.isto é, que não se exercem pelos órgãos dos sentidos físicos mas, sim, pelos órgãos dos sentidos psíquicos, fica-se com o assunto desde logo esclarecido.

Ora, se todos somos médiuns, sensíveis porém em maior ou menor grau a vibrações de outros planos, o primeiro sintoma, vamos dizer assim, dessa faculdade será a sensibilidade individual.

Prosaicamente admitimos que um indivíduo rude, pesado, maciço, sente menos, isto é — é menos sensível ou, melhor, menos sensitivo que outro de constituição mais delicada.

É admissível também que um lutador de box seja menos sensível que um poeta é um pintor, verdadeiramente artista, muito mais influenciável pela beleza das coisas, que um magarefe; um pensador mais que um “gangster”...

Isto não quer dizer, é óbvio, que determinadas profissões afastem a possibilidade mediúnica mas sim — que a faculdade não se manifesta em grau apreciável a não ser em organizações individuais apropriadas.

Também está visto que a faculdade natural não representa um “dom” — como muitos admitem — visto que isso viria constituir privilégio quando, ao contrário, sua posse corresponde a méritos já conquistados, vale por um direito já adquirido, representa um acesso a determinado degrau da escada evolutiva, qualquer que êle seja (10).

(10) Inúmeros são os que julgam ser a mediunidade um dom e o próprio Codificador assim o disse em suas obras, mas compreenda-se que o termo dom está aí empregado como uma outorga de Deus a espíritos em prova e não como um privilégio de alguns em relação a outros o que seria clamante injustiça, tanto mais que a maioria dos médiuns são, como se sabe, espíritos devedores em maior grau que muitos que não são
médiuns.

Entenda-se dom como tarefa transitória a desempenhar e da qual se prestará contas e não como atributo ou privilégio permanente do espírito. Aliás o próprio Kardec em outro ponto diz que “o que constitue o médium prôpriamente dito é a faculdade que possue” dando claramente a entender que não se trata de atributo pertencente à pessoa, ao espírito, mas simples missão de trabalho a desempenhar.

E, mesmo nos casos em que é outorgada como “prova” — e prova de fogo — aí então, muito menos, ela é um dom, justamente porque é uma prova.
* * *
Mas voltemos à sensibilidade no campo individual para dizer que ela apresénta aspectos diversos que vão desde o clássico “nervoso constitucional”até as formas mais avançadas do transe completo.

Vai-se desenvolvendo aos poucos, silenciosamente e aos poucos aumentando de intensidade, apresentando formas variadas de perturbações físicas e psíquicas até que um sintoma mais positivo surge transformando a sensibilidade — condição estática vegetativa —em mediunidade — estado dinâmico funcional.

É como um feto no ventre, que se está formando, ou como uma semente vegetal que, dia a dia, aumenta de fôrça e se transmuda até o momento em que, em plena eclosão expansiva, rompe as últimas resistências do solo e se transforma em árvore.

E assim cômo não podemos interferir no processo genético animal ou vegetal, tampouco o podemos no da faculdade mediúnica cabendo-nos somente o cuidado de “adubar o solo” e oferecer à planta condições favoráveis de vida e crescimento.

A sensibilidade é pois o prenúncio da mediunidade e todos os indivíduos que a apresentam devem ir se aproximando do campo da vida espiritual, fornecendo ao seu próprio espírito o alimento sazonado e puro de que êle carece para desenvolver-se, fortificar-se e tornar-se digno do grandioso trabalho que o espera na seara da espiritualidade.


Livro: Mediunidade
autor: Edgard Armond

bjs,soninha

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