16.10.11

Mediunidade: INCORPORAÇÃO/ Inconsciente


FORMA INCONSCIENTE

Esta última modalidade, como já dissemos, deve ser desdobrada em transe sonambúlico e transe letárgico; e o que a caracteriza é o fato de o Espírito do médium exteriorizar-se do corpo físico temporariamente passando então este,mais ou menos inteiramente, à disposição e controle do Espírito comunicante.

Como facilmente se compreende somente neste caso é que se dá, realmente, incorporação; e é esta forma que maiores garantias oferece de fidelidade e segurança na comunicação porque o Espírito transmite suas idéias e pensamentos diretamente, usando de suas próprias palavras, sem necessidade de intermédio intelectual que, quase sempre, altera a deturpa as idéias transmitidas telepaticamente.

O transe é sonambúlico quando o Espírito comunicante fala. e tem liberdade ambulatória, podendo tomar objetos, levantar-se, sentar-se, locomover-se, de um lugar para outro; e é transe letárgico quando, ao  contrário, o Espírito fala mas o corpo do médium permanece imóvel, com ou sem rigidez. 

Não me refiro também neste caso ao transe sonambúlico provocado por processos hipnóticos, que é coisa diferente porque, então, o Espírito do médium nem sempre abandona o corpo físico que fica, por outro lado, inteiramente sujeito à vontade do operador, ao passo que no transe da incorporação sempre há a exteriorização mediúnica,  justamente para que o Espírito comunicante ocupe o corpo do médium. 

Além disso — e isto é o mais importante — no sonambulismo provocado pelo hipnotismo o Espírito do próprio médium é quem fala, ao passo que no transe da incorporação quem fala é o Espírito comunicante. 

Nesta forma de mediunidade inconsciente o médium está muito mais à vontade para enfrentar o rigor da crítica ou da observação porque, em nada intervindo e de nada sendo sabedor no momento, a manifestação é integral do Espírito comunicante e, conforme a maior ou menor perfeição e extensão da faculdade, pode ainda o Espírito comunicante assumir o aspecto físico, o mesmo tom de voz, as mesmas maneiras e revelar outros detalhes da personalidade que encarnou em vidas anteriores sob a qual, no momento, se manifesta (18). 

(18) Os casos, aliás pouco comuns, de transfiguração estão incluídos  nesta modalidade. 

Quem promove o afastamento do Espírito do médium e o Espírito comunicante, utilizando processo magnético e o afastamento tanto mais suave e regular será quanto mais afins e equilibradas sejam as vibrações fluídicas de ambos. 

Em grande número de casos de exteriorisação o médium, enquanto fora do corpo físico, permanece consciente do que se passa nesse outro plano, porém de nada se lembra quando regressa ao corpo carnal. 

Quando os fluidos do Espírito comunicante são mais apurados que os do médium, é necessário que aquele baixe as vibrações dos seus, condensando-os; e em todos os casos de fluidos pesados, inferiores, haverá sempre sobressaltos, mais ou menos violentos para o lado do corpo físico do médium, no momento do transe, com reflexos secundários nos  seus órgãos psíquicos, após a cessação deste. 

Nestes casos de incorporação inconsciente, quando o indivíduo for mediunicamente bem educado e satisfatoriamente desenvolvida sua faculdade, durante o transe tanto pode ele permanecer ao lado do corpo físico, como mero assistente, como afastar-se temporária-mente, com emprego do seu tempo em 
alguma recreação ou trabalho útil. 

Nos casos, porém, em que é deficiente ou viciosa a educação mediúnica, não há esta liberdade e segurança; o médium não se  afasta, dificulta o desligamento e quase sempre intervem na comunicação, criando embaraços ao Espírito comunicante, sendo algumas vezes necessário adormecê-lo com passes e afastá-lo para longe, a fim de que a tarefa do Espírito comunicante possa ser levada a termo. 

E excusado será dizer que o estado de ansiedade e inquietação em que permanece o médium durante o transe, não lhe facultará um despertamento pacífico, harmonioso, suave, isento de perturbações. 

Portanto, estando tudo em ordem e o •ambiente merecendo confiança, entregue-se o médium despreocupadamente ao transe, auto-sugestionando-se com o pensamento de “ficar de lado”, não atrapalhar mas, ao contrário, ajudar o Espírito comunicante a desempenhar sua tarefa, entregando-lhe o instrumento mediúnico com boa vontade e espírito de colaboração. 

Incluem-se rigorosamente nesta forma de mediunidade os casos de xenoglossia (o chamado dom das línguas) tão interessantes e convincentes para os incrédulos, bem como os das intervenções mediúnicas operatórias, em que os Espíritos curadores operam os pacientes utilizando-se das mãos dos médiuns (19). 

(19) Essas operações podem, ao mesmo tempo, ser classificadas como efeito físico.

Consideradas assim devidamente, em todos os seus aspectos e detalhes, estas três formas da mediunidade de incorporação (conquanto as duas primeiras, rigorosamente falando, não o sejam) fica patente que não se deve exigir de uma o que somente a outra pode dar; não se pode pretender, por exemplo, que em uma manifestação da primeira modalidade (consciente) o médium fale como o Espírito falaria por si mesmo quando encarnado, ou demonstre sinais físicos ou atitudes características dos casos de incorporação inconsciente e assim por diante. 

Desta falta de compreensão e conhecimento detalhado do assunto tem resultado muita crítica descabida e descrédito injusto para os médiuns e para a doutrina, na sua prática. 


Livro: MEDIUNIDADE
Autor: EDGARD ARMOND

Leia também:
Mãos à Obra


Paz a todos...

Um comentário:

Gisis disse...

Amiga..Quanto textos interessantes..Estou amando passear por aqui.Em tempo não estou conseguindo entrar no Reino da fantasia.Pq???Beijos e um ótimo domingo Gisis