24.4.12

OBSESSÃO I




Obsessão, no entendimento geral, significa loucura mas nós, espíritas, sabemos que são desvios momentâneos e passageiros do equilíbrio psíquico, que nem sempre afetam a mente. 

Este assunto tem sido muito estudado e os autores espíritas ‘conhecem bem seus detalhes e, somente de passagem, a Ele aqui nos referimos, para rematar as considerações que atrás fizemos sobre mediunidade curadora. 

Dividimos as obsessões, quanto à origem, em internas e externas. 
      
No primeiro caso o doente é o obsessor de si mesmo; existe, pois, uma auto-obsessão cujas causas podem ser: hipertrofia intelectual ou excesso de imaginação; vida contemplativa ou misticismo; esfôrço introspectivo sistemático, fixações mentais inalteráveis etc. 

O doente constrói para si um mundo mental divergente, povoado de idéias fortes ou mórbidas, que se tornam fixas, ou de ‘concepções abstratas ou fantasiosas que se sobrepõem à Razão, estabelecendo no campo da mente um regime de desvario, deslocando-a do campo das realidades ambientes. 

Nestes estados há sempre predomínio do sub-consciente. Como se vê há um desvio funcional da mente consciente, com base no próprio espírito e, quando esse desvio ultrapassa os limites daquilo que é considerado o máximo tolerável por todos, o indivíduo passa a ser taxado de lunático, demente. 

Nestes casos o equilíbrio pode ser restabelecido com a simples modificação das atividades normais do doente, que devem ser orientadas, o mais possível para o campo das tarefas materiais concretas e objetivas. Busque-se uma instituição de pensamentos. 

No segundo caso a obsessão é externa quando provocada por agentes estranhos, alheios ao doente, que podem ser: 
 a) diretos: entidades desencarnadas
 b) indiretos larvas (pensamentos formas) e outras espécies de
influenciação telepática. 
Em todos estes casos a perturbação tem duração mais ou menos limitada e, afastada a causa, cessam os efeitos, quase sempre recuperando a mente sua normalidade anterior. 

Somente podemos considerar loucura, isto é, desequilíbrio irremediável, os casos em que o organismo foi invadido por agentes patológicos ou causadores de lesões nos centros anímicos como p. ex. a sífilis, o álcool, etc. 

Então, como bem se percebe, não se trata mais de obsessão porém de lesões que impossibilitam a mente de funcionar em ordem, e é em relação a estes casos principalmente, que a mediunidade curadora se limita a atenuação do sofrimento. 

Nas obsessões mais graves, quando a cura é permitida, e em todos os demais casos só se colhem bons resultados quando o doente colabora, reagindo no campo moral, edificando-se no esforço de reabilitação caso contrário os resultados serão passageiros, porque o doente acaba-se acumpliciando com o obsessor e a obsessão, sistematicamente reincide, em muitos casos perdurando até além da morte. Se houver reação vão se desatando aos poucos os laços que prendem o obsessor ao obsidiado, acentuando-se cada vez mais a incompatibilidade vibratória dos perispíritos, e dá-se por fim a separação entre ambos. 

Sabemos das dificuldades existentes no se compelir os obsidiados a colaborarem na sua própria regeneração: comumente se afastam, negam-Se a ouvir, a assistir trabalhos e a seguir conselhos no que aliás, como sabemos, são levados pelos próprios obsessores, que, ligados fortemente aos seus perispíritos, dominam a sua consciência pensamentos e atos. 

Os obsidiados se acostumam com os obsessores; durante anos entre eles há troca, permuta de fluidos e se os separamos violentamente podem surgir lesões mais ou menos graves no organismo físico ou psíquico. É preciso ir desligando aos poucos. 

Nos casos de obsessão avançada, após as crises agudas dos ataques diretos, perseguidores e perseguido, permanecem “na mais estreita ligação telepática, agindo e reagindo mentalmente um sobre o outro”. 

Os obsedados julgam muitas vezes querer libertar-se, entretanto no intimo alimentam-se com os fluidos enfermiços do companheiro desencarnado e apegam-se a ele, instintivamente. Milhares de pessoas são assim. 

Entretanto é possível agir de forma a captar esse precioso concurso individual em entendimento direto com o obsidiado, demonstrando-lhe o nosso desejo de curá-lo e aos poucos incutindo-lhe no sub-consciente conceitos evangélicos apropriados. 

Por outro lado, levados à sessão de cura espiritual, devem ser submetidos a passes apropriados, por médiuns que possuam faculdades curativas os quais, como veículos dos Espíritos, colocando as mãos sobre a cabeça do doente, projetarão sobre êle fluidos elevados captados no Espaço, com o concurso de toda a assistência, que deve estar concentrada fortemente  Este processo dá resultados apreciáveis e no mínimo se obterão afastamentos temporários, em etapas progressivas e  complementares de reabilitação psíquica do doente. 

O estado obsessional em sua fase inicial tem o nome já vulgarizado de encosto, quando o espírito que interfere é inconsciente. Numa outra, mais avançada e mais grave, chama-se possessão; mas, generalizando, todos estes casos são fenômenos de vampirismo. 

Obsessão e suas modalidades são fenômenos que somente manifestam Espíritos atrasados, pois, não há possibilidade de serem loucos ou obsidiados Espíritos de evolução mais avançada. 

Por último, queremos lembrar que, nem sempre, o tratamento das obsessões deve ter em vista o afastamento do obsessor porque tal coisa às vezes não se pode dar, mormente nos casos diretos quando, obsessor e obsidiado acham-se estreitamente ligados entre si por laços fluídicos indissolúveis, em tarefas de resgates cármicos (25). 

(25) Para casas espíritas de grande movimento, nas curas de obsessões não pode ser aplicado o processo clássico das doutrinações individuais; por isso estabelecemos na Federação Espírita do Estado o sistema que denominamos “choque anímico”, que permite assistir individualmente grande número de casos numa só sessão. 

 O processo, em síntese, é levar diretamente ao coração do obsessor um forte jato de fluidos de amor. 

Vide “Trabalhos Práticos de Espiritismo” do mesmo Autor, Edição LAKE — São Paulo.

André Luiz em seu livro já citado, explica que médiuns existem que, aliviados dos vexames que recebem por parte de entidades inferiores, depressa como que lhes reclamam a presença, religando-se a eles automaticamente, embora o nosso mais sadio propósito de libertá-los. 

Enquanto não se modificam suas disposições espirituais, com a criação de novos pensamentos, jazem no regime da escravidão mútua em que obsessores e obsidiados se nutrem das emanações uns dos outros. 

Temem a separação, pelos hábitos cristalizados em que se associam, segundo os princípios da afinidade. naquele objetivo de cura. 

Este setor de efeitos físicos, como se vê, é muito interessante e às vezes mesmo impressionante, porque os assistentes vêm-se  assim postos em contacto direto e objetivo com os Espíritos desencarnados. 

Os intelectuais encontram nele possibilidades inúmeras e ideais de exercerem investigação de fundo científico; os que precisam ver para crer e os filiados a credos dogmáticos ou platônicos, todos podem verificar, pessoalmente, a realidade da vida espiritual, do intercâmbio entre os mundos físicos e etéreo, enfim, da imortalidade da alma. 

Mas é preciso nesse setor agir com muito cuidado e discernimento porque ele, justamente, oferece margem, pela sua complexidade, a uma série extensa de mistificações, ora de médiuns ora de Espíritos; a confusões muito naturais para aqueles que não lhe conhecem as particularidades. 

Há uma percentagem reduzida de manifestações que podemos citar como autênticas desta espécie, não passando muitas outras de fenômenos de outra espécie, que com esta se confundem. 

É comum, por exemplo, que Espíritos de planos inferiores ligados à Terra, pelo desejo que sempre têm de se manifestarem aqui, ou mesmo em missões de colaboração, utilizem-se de médiuns inconscientes, de incorporação, e usando as próprias mãos e pés desses médiuns produzam as manifestações tidas como efeitos físicos (levitações de objetos,  toque de instrumentos musicais, pseudas materializações, etc.) que não passam afinal de simples fenômenos de incorporação. 

Não cabe nos limites deste nosso trabalho entrar também no estudo das mistificações, conscientes ou inconscientes, de médiuns e de Espíritos, bem como do meio de evitá-las, mas podemos acrescentar que por dois processos muito simples se pode selecionar as manifestações, sendo um o de segregar o médium de todo contacto ou aproximação, mantendo sempre a cabina sob vistas de todos, e outro o de operar sempre com meia luz, vermelha ou azul, de intensidade suficiente para tornar visível todo o aposento do trabalho e seus assistentes. 

A luz nem sempre impede a realização dos fenômenos, salvo os de caráter luminoso, que ficariam, é claro, prejudicados se se utilizasse luz intensa, O poder-se ou não trabalhar com luz e a intensidade dessa luz, tudo depende da capacidade fluídica do médium e também de sua educação mediúnica. 

Mesmo que o médium ou o Espírito operante não o desejem, devemos sistematicamente tentar a meia-luz, pois somente assim se poderá garantir a autenticidade, verificar os limites e classificar devidamente os fenômenos produzidos; e a recusa de submissão a estas exigências tão naturais, já por si mesma, torna suspeita a idoneidade dos operadores. (26) 

(26) Certos fakires, no Oriente, produzem os mais extraordinários fenômenos físicos, transportes,levitações, materializações, etc., em plena luz do dia e sem preparação ou auxílio de terceiros, pelo emprego somente de sua capacidade de produzir fluidos e o concurso dos espíritos desencarnados.

Para que possam lidar sempre com material conhecido e fácil-mente manejável os Espíritos, por sua vez exigem, mormente no inicio, que os assistentes sejam em pequeno número e sempre os mesmos. 

Em seu livro já citado, André Luiz, referindo-se aos efeitos físicos explica que os pensamentos e emissões de fluidos negativos por parte da assistência, influem sobre o ectoplasma que está sendo manipulado pelos espíritos, obscurecendo-o e danificando-o. 

Isso é razoável porque de fato o selecionamento lhes garante o êxito do trabalho, mas certo é também que havendo médiuns com a faculdade de ceder fluídos em volume suficiente, treino operacional e  capacidade da parte dos operadores nos dois planos, os fenômenos se produzirão de qualquer forma. 

Outro aspecto da questão, que devemos focalizar é que esta forma de mediunidade é aquela que mais depressa e sistematicamente exaure o médium, justamente atendendo à sua tarefa de doar fluidos. Os médiuns desta classe são a bem dizer “doadores de sangue fluídico”,que não podem ser utilizados sem constantes períodos de recuperação, muito embora os próprios Espíritos operadores promovam, ao fim de cada trabalho, essa recuperação, de alguma forma (27). 

(27) Para aumentar a capacidade de doar fluidos, e desde que o diretor do trabalho seja pessoa competente, pode-se adotar o processo da aplicação do Kundalini — o fogo da terra. Essa aplicação, todavia, não deve ser generalizada, pelos perigos que encerra na ocorrência de leviandades, exageros ou falta de conhecimentos apropriados.
Vide a obra “Passes e Radiações”, do mesmo Autor, Edição LAKE — São Paulo. 
continua... 
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Livro: Mediunidade
Autor: Edgard Armond 

Paz a todos...

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