27.2.13

Saudades de um piano...


Ele é um jovem de dezenove anos. Seu dia começa cedo, no trabalho duro. Trabalha preparando a argamassa, levantando paredes de tijolos, conduzindo um carrinho com pedras, areia, cimento.

Suas mãos estão habituadas ao cabo da enxada, ao trato com materiais rudes. Frequentemente, suas roupas trazem o pó do cimento e da areia de que se utiliza na atividade diária.

Mas, enquanto Rony levanta paredes, construindo edifícios ou realizando reformas, sua mente peregrina muito mais alto do que qualquer imóvel que tenha auxiliado a edificar.

Suas mãos concretizam fisicamente e de forma harmônica o que outras mentes idealizaram. Contudo, em sua alma, outras harmonias clamam por se exteriorizar.

E tudo aconteceu assim: enquanto trabalhava na garagem de uma casa, sons vindos do segundo andar lhe chegavam. Sons de um piano.

Como ele desejaria poder ver um piano de perto! Mais do que isso: ele queria sentar frente a um deles e acariciar o teclado, extraindo notas musicais.

Os colegas, em ouvindo-o, dia após dia, externar seu sonho, fizeram com que chegasse aos ouvidos da dona da casa.

E ela resolveu satisfazer o sonho do pedreiro. Por que não?

Rony adentrou a sala, num dos intervalos para almoço. Ao chegar em frente ao grande piano de cauda, imponente, começou a tremer. Ficou nervoso como se estivesse em um palco, frente a uma imensa plateia e devesse executar um grande concerto.

Olhou o interior do piano, admirando-se do sistema que, acionado pelo pianista, permite a criação dos sons. Jamais imaginara que houvesse tantas cordas e madeira.

Com cuidado, retirou a proteção de feltro que repousava sobre o teclado. Colocou suas mãos sobre as teclas e começou a pressioná-las.

Parecia o reencontro de um grande artista com o instrumento amado. E não seria mesmo?

Melodias começaram a brotar das suas mãos, como mágica. Os pés descalços pressionavam os pedais, no ritmo e tempo exatos.

Os colegas ficaram boquiabertos e foram sentando para ouvir. Música. Harmoniosa música.

A dona da casa ficou admirada. Com quem ele aprendera?

Com ninguém. Em casa, contou Rony, havia um teclado velho de seu irmão em que ele buscava imitar a posição das mãos dos pianistas que assistia pela TV.

E reproduzia as músicas que ouvia, nem sabendo o nome dos autores eruditos e clássicos, cujas composições executa com maestria e sentimento: dolce, allegro, vivace, con brio.

Depois de entrevista à televisão, foi premiado com um curso de piano gratuito na Universidade de Vitória, no Espírito Santo, onde reside.

Conforme sua professora, em poucas aulas, já está aprendendo a ler música.

E, enquanto prossegue em sua faina de pedreiro, utiliza todos os intervalos do almoço para subir ao segundo andar, sentar-se ao piano e arrefecer a saudade do amado instrumento.

Seu sonho: tornar-se pianista profissional.

Saudades de outra vida...

* * *

Somente a reencarnação pode explicar a genialidade inata. O Espírito retorna, em outro corpo, em ambientes diversos daqueles em que viveu, mas o que aprendeu lhe constitui bem inalienável.

Por isso, sempre mais, nestes tempos de transição planetária, ouvimos falar de gênios e de talentos extraordinários.

Estão em toda parte e em todas as camadas sociais, testificando a realidade do Espírito que nunca morre e progride sem cessar.


Redação do Momento Espírita, com base em entrevista da TV Globo

Paz a todos.

Nenhum comentário: