3.5.13

Toda a Bíblia Está Cheia dos Fenômenos Mediúnicos


O Espiritismo é apresentado por Kardec, sob a orientação do Espírito da Verdade, como uma seqüência natural do Cristianismo. É o cumprimento da promessa evangélica de Jesus, de enviar à Terra o Consolador, que completaria o seu ensino, esclarecendo os homens a respeito daquilo que ele só pudera ensinar através de alegorias, no seu tempo. Os homens de então não estavam em condições de compreender o fenômeno natural da comunicação espírita, que misturavam com sistemas de magia e interpretações supersticiosas. Em A Gênese, Kardec esclarece, no primeiro capítulo, que era necessária a evolução das ciências, o progresso dos conhecimentos, o desenvolvimento intelectual, para que o Espiritismo fizesse seu aparecimento, como doutrina, em nosso mundo. 

Assim sendo, o Espiritismo tem como base as Escrituras, tem seus fundamentos na Bíblia. Mas é claro que o conceito espírita da Bíblia não pode ser igual ao das religiões que ficaram no passado, apegadas às formas sacramentais de magia, aos ritos materiais e aos cultos exteriores do próprio paganismo. A Bíblia não pode ser, para o espírita esclarecido, a"palavra de Deus", pois é um livro escrito pelos homens, como todos os outros livros, e é, principalmente, um conjunto de livros em que encontramos de tudo, desde as regras simplórias de higiene dos judeus primitivos até as lendas e tradições do povo hebreu, misturadas às heranças dos egípcios e babilônios. O Espiritismo ensina a encarar a Bíblia como um marco da evolução religiosa na Terra, mas não faz dela um novo bezerro de ouro. 

É difícil falarmos da Bíblia a pessoas apegadas ao processo de fanatismo religioso de algumas seitas obscurantistas, que chegam, em pleno século vinte, ao cúmulo de renegarem a cultura, para só aceitarem os escritos judeus da época das civilizações agrárias. São pessoas simples e crentes, que merecem o nosso respeito, mas inteiramente incapazes de compreender o problema bíblico. Isso, entretanto, não deve impedir-nos­ de esclarecer  esse problema à luz  dos princípios espíritas. A  Bíblia não condena o Espiritismo. Pelo contrário, a Bíblia confirma o Espiritismo, como demonstraremos. Basta lembrar  o caso de Samuel, atormentado pelo espírito mau, aliviado pela mediunidade de Davi, que usava a música para afastá-­lo. Caso típico de mediunidade curadora, constante de Samuel 16: 14­23. E  o colégio de médiuns que acompanhava Moisés no deserto? E  assim por diante, da primeira à última página da Bíblia. Mas o pior cego é aquele que não quer enxergar. 
Visão Espírita da Bíblia
J. Herculano Pires

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