12.7.13

A Caridade e a Oração


"O Centro Espírita Luiz Gonzaga" ia seguindo para a frente... 

Certa feita, alguns populares chegaram à reunião pedindo socorro para um cego acidentado. 

O pobre mendigo, mal guiado por um companheiro ébrio, caíra sob o viaduto da Central do Brasil, na saída de Pedro Leopoldo para Matozinhos, precipitando-se ao solo, de uma altura de quatro metros. 

O guia desaparecera e o cego vertia sangue pela boca.

Sozinho, sem ninguém...

Chico alugou pequeno pardieiro, onde o enfermo foi asilado para tratamento médico.

Caridoso facultativo receitou, graciosamente. 

Mas o velhinho precisava de enfermagem.

O médium velava junto dele à noite, mas durante o dia precisava atender às próprias obrigações na condição de caixeiro do Sr. José Felizardo. 

Havia, por essa época, 1928, uma pequena folha semanal, em Pedro Leopoldo. 

E Chico providenciou para que fosse publicada uma solicitação, rogando o concurso de alguém que pudesse prestar serviços ao cego Cecílio, durante o dia, porque à noite, ele próprio se responsabilizaria pelo doente.

Alguém que pudesse ajudar. 

Não importava que o auxílio viesse de espíritas, católicos ou ateus. 

Seis dias se passaram sem que ninguém se oferecesse.

Ao fim da semana, porém, duas meretrizes muito conhecidas na cidade se apresentaram e disseram-lhe: 

- Chico, lemos o pedido e aqui estamos. Se pudermos servir... 

- Ah! Como não? - replicou o médium - Entrem, irmãs! Jesus há de abençoar-lhes a caridade. Todas as noites, antes de sair, as mulheres oravam com o Chico, ao pé do enfermo. 

Decorrido um mês, quando o cego se restabeleceu, reuniram-se pela derradeira vez, em prece, com o velhinho feliz. 

Quando o Chico terminou a oração de agradecimento a Jesus, os quatro choravam. Então, uma delas disse ao médium: 

- Chico, a prece modificou a nossa vida. Estamos a despedir-nos. Mudamo-nos para Belo Horizonte, a fim de trabalhar. 

E uma passou a servir numa tinturaria, desencarnando anos depois e a outra conquistou o título de enfermeira, vivendo, ainda hoje, respeitada e feliz.

Paz a todos...

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