23.2.11

A Mediunidade e a Bíblia



EXCERTOS MEDIÚNICOS

Gn 2.16 - "E ordenou o Senhor Deus ao homem dizendo: De toda a árvore do jardim comerás livremente".

Esta é a primeira vez na Bíblia em que Deus se dirigiu ao homem Mas não diz por qual modo.

Viva voz?

Através de terceiros? Por escrito? Aparição?

Sonho?

Nos primeiros versículos, Deus fala algumas vezes, porém, em nenhuma dirigindo-se ao homem: 1, 3, 6, 9, 11, 14, 20, 22, 24, 26, 28 e 29.

O bom senso recomenda análises mais ponderadas.

Gn 3.8 - "E ouviram a voz do Senhor Deus que passeava no jardim pela viração do dia".

Como não há menção explícita de um intermediário entre Deus e Adão e Eva, poder-se-ia postular à primeira vista que o fenômeno seria de Voz Direta.

Contudo, ao recordar-se da tese defendida pelas pesquisas mais atualizadas de que Adão não foi aquele homem lendário que o misticismo divulga, mas sim uma raça, a Adâmica (veja-se cap. XI, n° 38, de A Gênese, de Kardec e cap. III do livro A Caminho da Luz, de Emmanuel), o mais natural é compreender que as manifestações de Deus a essa raça ocorreram durante todo o período em que ela fora implantada na Terra, por todas as várias formas mediúnicas e, naturalmente, não se tratava de Deus propriamente dito, mas sim de vários Espíritos, cada um a sua época.

No texto bíblico escrito por Moisés, com fundamento na tradição oral, reduziu-se sensivelmente a descrição desses eventos.

Com a repetição desta forma "e Deus disse" e suas variantes, sempre referindo-se à terceira pessoa e não à primeira, observada nos vários capítulos e versículos seguintes, reforça-se esta concepção que torna tudo mais inteligível e consoante com as leis naturais.

ABRAHÃO

Gn 12. 1 - "Ora, o Senhor disse a Abrahão: Sai da tua terra e da tua parentela e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei".

A citação mais antiga das teofanias contida no Velho Testamento, ou seja, a vez primeira em que nas escrituras se encontra Deus dirigindo-se a um homem, refere-se a Abrahão.

Portanto, Abrahão é o mais antigo médium de que se tem conhecimento.

Descendente de Sem (Gn 11.10 a 27) tornou-se o Patriarca dos Israelitas.

Nasceu em Ur. Sua biografia é contada em Gn 11.26 até 25. 10 e sintetizada em At. 7.2 a 8.

Conhecido como "Amigo de Deus" (2 Cr 20.7), lá vivia com seu pai Terah e os irmãos Naor e Harã e casara-se com Sarai (mais tarde Sara), que era estériI.

Sua vida começa a mudar com a morte do irmão Harã, porque a essa altura "o Senhor disse a Abrahão: sai de tua terra e da tua parentela e da casa de teu pai para a terra que eu te mostrarei".

Abrahão era no mínimo médium audiente, porque ouviu o que lhe dissera o Senhor.

Este acrescenta:

Gn 12.2,3 - "E abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem".

É o caso de se perguntar: como admitir que o Senhor discrimine as criaturas e amaldiçoe os que amaldiçoarem Abrahão?

Este Senhor não pode ser Deus, porquanto aceitá-lo como sendo, é desconhecer o que é Deus, sabidamente, soberanamente justo e bom, incapaz de uma vindita.
A única explicação racional é a de que não se tratava de Deus mas sim, de um Espírito. E mais do que isso, um Espírito de terceira ordem dentro da classificação de Kardec, talvez até mesmo um modesto familiar desencarnado de Abrahão, ainda apegado a sentimentos sectaristas, ao exclusivismo familiar.

Se hoje, com toda a evolução social ainda é freqüente encontrar-se nas reuniões mediúnicas primárias, em meios não espíritas, a presença de Espíritos de índoles tendenciosas e parciais, que ainda se propõem a atender pedidos frívolos, mundanos, extravagantes e às vezes até ridículos, a benefício de uns e em detrimento de outros, que dizer daquela época em que os mais elementares preceitos de justiça ainda careciam de compreensão?
 

site Comunidade Espírita

Henrique N. Gimênez 

bjs,soninha


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