17.2.11

A Inesquecível Pergunta




O "Parnaso de Além Túmulo", com carinhoso entusiasmo de Ma­noel Quintão, foi lançado em julho de 1932. E no mesmo mês, o padre Júlio Maria, de Manhumirim, em Minas, no seu jornal "O Lutador", escreveu áspera crítica, condenando o livro e o Médium.

Dentre outras coisas dizia que o Chico devia possuir uma pele de rinoceronte para caber tantos espíritos.

Os comentários irônicos e as acusações gratuitas eram tantos que o Médium, inexperiente e muito jovem ainda, se sentiu demasiadamen­te chocado e foi constrangido a buscar o leito.

"Então, a luta era aquela? - pensava, com dor de cabeça. - Valia a pena ser médium e ficar exposto, assim, ao juízo temerário dos outros? Seria justo agüentar aqueles xingatórios quando estava possuí­do das melhores intenções?"

Por mais de duas horas se via em semelhante contenda íntima, quando viu Emmanuel ao seu lado.

Contou ao Mentor o que se passava e supôs que o espírito amigo o acariciaria sem restrições.

Emmanuel, porém, de pé, com severa fisionomia, falou-lhe firme:

- Mas eu não vejo razão para solenizar este assunto..

- Entretanto, o senhor está vendo...

O padre disse que eu te­nho uma pele de rinoceronte... - clamou o Médium.

- Se não tem, precisa ter, - disse-lhe o protetor - porque se você quiser cultivar uma pele muito frágil, cairá sempre com qualquer alfinetada e não nos seria possível a viagem da mediunidade nos ca­minhos do mundo...

- Contudo, temos o nosso brio, a nossa dignidade - acrescen­tou o Chico - e é difícil viver com o desrespeito público.

Foi então que Emmanuel o fitou com mais firmeza e exclamou: - Escute. Se Jesus que era Jesus, saiu da Terra pelos braços da cruz, você é que está esperando uma carruagem para viver entre os homens?

Quando ouviu a pergunta, o Chico levantou-se de um pulo e começou a reajustar-se.

Livro: Lindos Casos de Chico Xavier - 28
Ramiro Gama

bjs,soninha



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