21.7.11

Prece


658 A prece é agradável a Deus?

– A prece é sempre agradável a Deus quando é do coração, porque a intenção é tudo e a prece do coração é preferível à que se pode ler, por mais bela que seja, se for lida mais com os lábios do que com o sentimento. A prece é agradável a Deus quando é dita com fé, fervor e sinceridade; mas não acrediteis que Ele seja tocado pela prece do homem fútil, orgulhoso e egoísta, a menos que signifique de sua parte um ato de sincero arrependimento e verdadeira humildade.

659 Qual é o caráter geral da prece?

– A prece é um ato de adoração. Orar a Deus é pensar n’Ele; é se aproximar d’Ele; é se colocar em comunicação com Ele. Pela prece, podem-se propor três coisas: louvar, pedir, agradecer.

660 A prece torna o homem melhor?

– Sim, quem ora com fervor e confiança é mais forte contra as tentações do mal, e Deus envia bons Espíritos para assisti-lo. É um socorro nunca recusado quando pedido com sinceridade.

660 a Por que algumas pessoas que oram muito têm, apesar disso, um caráter muito ruim, são invejosas, ciumentas, coléricas, não têm benevolência nem tolerância, podendo ser, algumas vezes, até mesmo viciosas?

– O essencial não é orar muito, mas orar bem. Essas pessoas acreditam que todo o mérito está no tamanho da prece e fecham os olhos para seus próprios defeitos. A prece é, para elas, uma ocupação, um emprego do tempo, não um estudo delas mesmas. Não é o remédio que é ineficaz, é a maneira como é empregado.

661 É válido orar a Deus para perdoar nossas faltas?

– Deus sabe discernir o bem e o mal; a prece não oculta as faltas. Aquele que a Deus pede perdão de suas faltas apenas o obtém ao mudar de conduta. As boas ações são as melhores preces, porque os atos valem mais do que as palavras.

662 É válido orar para outra pessoa?

– O Espírito daquele que ora age pela sua vontade de fazer o bem. Pela prece, atrai bons Espíritos que se associam ao bem que quer fazer.

☼ Possuímos, em nós mesmos, pelo pensamento e pela vontade, um poder de ação que se estende além dos limites de nossa esfera corporal. A prece em favor de outras pessoas é um ato dessa vontade. Se for ardente e sincera, pode chamar os bons Espíritos para ajudar aquele por quem oramos, a fim de lhe sugerir bons pensamentos e lhe dar ao corpo e à alma a força de que tem necessidade. Mas a prece do coração é tudo, a dos lábios não é nada.

663 As preces que fazemos por nós mesmos podem mudar nossas provas e desviar-lhes o curso?

– Vossas provas estão nas mãos de Deus e há algumas que devem ser suportadas até o fim, mas Deus tem sempre em conta a resignação. A prece traz para junto de vós os bons Espíritos que dão a força de suportá-las com coragem e fazem com que pareçam menos duras. Já dissemos, a prece nunca é inútil quando é bem-feita, porque dá força àquele que ora, o que já é um grande resultado. Ajudai-vos e o céu vos ajudará, sabeis disso. Aliás, Deus não pode mudar a ordem da natureza à vontade de cada um, porque aquilo que é um grande mal sob o vosso ponto de vista mesquinho e vossa vida efêmera é, muitas vezes, um grande bem na ordem geral do universo. Além de tudo, quantos males há dos quais o homem é o próprio autor por sua imprevidência ou por suas faltas! É punido naquilo que errou. Entretanto, os pedidos justos são muitas vezes atendidos mais vezes do que supondes. Acreditais que Deus não vos tem escutado, porque não fez um milagre por vós, enquanto vos assiste por meios tão naturais que parecem o efeito do acaso ou da força das coisas; muitas vezes também, muitas vezes mesmo, Ele vos suscita o pensamento necessário para, por vós mesmos, sairdes do problema.

664 É útil orar pelos mortos e pelos Espíritos sofredores? Nesse caso, como nossas preces podem levar alívio e abreviar seus sofrimentos? Têm elas o poder de fazer abrandar a justiça de Deus?

– A prece não pode ter por efeito mudar os desígnios de Deus, mas a alma para quem se ora experimenta alívio, porque é um testemunho de interesse que se lhe dá, e porque o infeliz sempre encontra alívio quando almas caridosas se compadecem de suas dores. De outro lado, pela prece, motiva-se ao arrependimento e ao desejo de fazer o que é preciso para ser feliz; é nesse sentido que se pode abreviar sua pena, se por seu lado ajudar com sua boa vontade. Esse desejo de melhorar, animado pela prece, atrai para junto do Espírito sofredor Espíritos melhores que vêm esclarecê-lo, consolá-lo e lhe dar esperança. Jesus orava pelas ovelhas desgarradas e mostra, dessa maneira, que seríeis culpados de não fazer o mesmo por aqueles que têm necessidade das vossas preces.

665 O que pensar da opinião que rejeita a prece pelos mortos em razão de não estar recomendada no Evangelho?

– O Cristo disse: “Amai-vos uns aos outros”. Essa recomendação ensina que o homem deve empregar todos os meios possíveis para demonstrar afeição aos outros, sem entrar em detalhes sobre a maneira de atingir esse objetivo. Se é verdade que nada pode impedir o Criador de aplicar a justiça, da qual é a própria imagem, a todas as ações do Espírito, não é menos verdadeiro que a prece que Lhe dirigis em favor daquele que vos inspira afeição é um testemunho da lembrança que tendes dele, e apenas pode contribuir para aliviar seus sofrimentos e consolá-lo. A partir do momento em que ele sinta o menor arrependimento, é, então, socorrido; mas ele nunca ignora que uma alma simpática se ocupou dele e lhe deixa o doce pensamento que essa intercessão foi útil. Resulta disso, necessariamente, de sua parte, um sentimento de reconhecimento e afeição por aquele que lhe deu essa prova de amizade ou piedade. Dessa maneira, o amor que o Cristo recomendava aos homens apenas aproximou-os entre si; portanto, os dois obedeceram à lei de amor e de união de todos os seres, lei divina que deve conduzir à unidade, objetivo e finalidade do Espírito1.

666 Pode-se orar aos Espíritos?

– Pode-se orar aos bons Espíritos como mensageiros de Deus e executores de Seus desígnios; mas seu poder está na sua superioridade e depende sempre do Senhor de todas as coisas, pois sem sua permissão nada se faz; por isso, as preces que lhes dirigimos são somente eficazes se são agradáveis a Deus.
Perguntas feitas por Allan Kardec aos Espiritos e as suas respostas.(LE)


abçs,

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